A associação entre nutrição e contagem de calorias vem desvinculando-se na prática do nutricionista. Mais do que elaborar um plano alimentar calculado, o profissional deve estar sempre em busca de resgatar a relação entre o comportamento do paciente frente à sua alimentação. Essa é uma forma de se desprender da adoção de dietas restritivas e explorar a inclusão de atitudes para ajudar a melhorar suas escolhas alimentares, baseadas em todos os aspectos biopsicossociais.

O comportamento social das pessoas interferiu nas mudanças das práticas alimentares. A adoção de uma vida mais sedentária em função da redução do tempo e da alta carga de trabalho pode ser um dos principais fatores associados ao estilo de vida desequilibrado. Diante disso, é essencial estabelecer estratégias que ajudem o paciente a relacionar sua alimentação de forma positiva com todos os âmbitos de sua vida. Além de complexo, o comportamento alimentar contém determinantes externos e internos que irão influenciar as escolhas em diferentes fases.

Mais do que em âmbito emocional, existem comprovações científicas que mostram a relação fisiológica da nutrição comportamental, principalmente quando se fala em saciedade alimentar. Existem dois tipos de saciedade: a gástrica e a cerebral. Ambas estão relacionadas ao comportamento durante o ato de se alimentar, uma vez que se associam à forma como se realiza a refeição. Com a correria do dia a dia, algo que está cada vez mais escasso na rotina do paciente na hora de comer: é  o tempo! A saciedade cerebral é a segunda resposta corporal após a ingestão de alimentos e que tem associação direta com o tempo que se mastiga e engole um alimento. A compreensão desse sinal do organismo deve ser abordada no aconselhamento nutricional a fim de auxiliar o paciente a buscar o equilíbrio desse comportamento.

Outro ponto essencial no momento de se traçar manejos para mudar o comportamento do paciente é avaliar o seu nível nutricional. Há os que estão mais dispostos a adaptar sua rotina e aderir, com maior foco, ao planejamento alimentar feito pelo nutricionista e há os que ainda precisam de um processo de adaptação. Cada paciente é único e deve ter seu atendimento adaptado para suas condições.

O resgate da relação paciente e alimento no âmbito biopsicossocial, por meio de condutas relacionadas à nutrição comportamental praticada no consultório, será um tema abordado no Módulo Nutrição & Comportamento do MBNE 2020. As diferenças entre a saciedade gástrica e a saciedade cerebral, em conjunto com o comportamento individual, farão parte da programação de palestras deste módulo.

SACIEDADE GÁSTRICA E CEREBRAL: ABORDAGEM NA PRÁTICA CLÍNICA

NÍVEL NUTRICIONAL NA MULHER ADULTA: ESTRATÉGIAS COMPORTAMENTAIS.

REFERÊNCIAS

 LAMAS, I. et al. Do desejo à ação: fatores que interferem na abordagem nutricional para mudança de hábito alimentar. Rev enferm UFPE online., Recife, v. 11, n. 6, p.2432-44, jun. 2017.

 TAPSELL, L. Dietary behaviour changes to improve nutritional quality and health outcomes. Chronic Diseases and Translational Medicine, v. 3, p. 154-158, 2017.