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Saúde sexual na mulher: como a nutrição interfere?

A saúde sexual feminina é um assunto que, quando ignorado clinicamente, é capaz de potencializar o desenvolvimento da disfunção sexual feminina, quadro com prevalência de 20 a 40%, e caracterizado por diferentes transtornos associados à vida sexual de sua paciente. Dentre estes quadros, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – 5ª edição (DSM-5), considera os seguintes: distúrbio do orgasmo feminino; dor genitopélvica/distúrbio de penetração; transtorno do interesse sexual/excitação sexual feminina; disfunção sexual induzida por substâncias ou medicamentos; e outras disfunções sexuais especificadas e não especificadas (WHELLER et al., 2020).

Sabe-se que o desenvolvimento desses transtornos está diretamente relacionado com as respostas emocionais, neurovasculares, endócrinas e psicossociais – tendo em vista de que a excitação e orgasmo feminino dependem, somente, de aspectos cognitivos, emocionais e comportamentais (PRABHU et al., 2022)

Entretanto, além desses transtornos, que devem ser tratados com uma equipe transdisciplinar, a mulher também é submetida a diferentes alterações sexuais no decorrer da vida. Você sabe identificar e inserir a nutrição na prevenção e melhora dos mesmos?

Mulher de fases & sua saúde sexual: qual a relação? (H2)

A vida da mulher é marcada por diversas alterações fisiológicas e hormonais, que influenciam na qualidade de vida das mesmas. Mas você qual o impacto que o período menstrual, o período pós-parto, a menopausa e o período pós-menopausa podem causar na vida sexual de sua paciente?

 

  • Período menstrual (H3): caracterizada por 3 fases diferentes (folicular, ovulatória e lútea), o período menstrual é marcado por diversas alterações hormonais que impactam na maneira como a mulher se enxerga e em seu desejo sexual. Sabe-se que durante o período ovulatório há um aumento nos níveis de progesterona, e uma queda nos níveis de estrógeno e testosterona, impactando assim na melhora da líbido sexual.
  • Período Pós-Parto (H3): considerado um dos momentos mais delicados da vida da mulher, o período pós-parto influencia na saúde física e mental da mulher, deixando a paciente mais suscetível ao desenvolvimento de depressão pós-parto, quadro que impactam o desejo sexual e na percepção sexual (WOOD et al., 2022).
  • Climatério (H3):  marcado pela diminuição dos níveis de testosterona no organismo, o climatério impacta diretamente na vida sexual feminina. Um estudo descritivo, exploratório e quantitativo (NOGUEIRA et al., 2022) analisou o perfil clínico e o impacto na qualidade de vida em mulheres climatéricas. Com base em um dos estudos utilizados pelos autores, a piora da saúde sexual tende a afetar cerca de 50 a 70% desse público.

 

Quais abordagens dietéticas podem melhorar a saúde sexual de sua paciente? (H2)

 

Um estudo conduzido por Kudesia et al., (2021) analisou como a nutrição pode impactar na melhora da saúde sexual e reprodutiva da mulher. Como citado anteriormente, a saúde sexual feminina é impactada diretamente pelo bem-estar físico, emocional, mental e social, e de acordo com um dado trago pelos autores, há uma maior prevalência do desenvolvimento de disfunção em mulheres com problemas crônicos de saúde, como hipertensão arterial, dislipidemia, sobrepeso e obesidade.

 

Os autores trazem o impacto de uma dieta rica em antioxidantes e nitratos para o aumento dos níveis de óxido nítrico (NO) no organismo, tendo em vista de que a melhora dos níveis circulantes de NO auxiliam na proteção de quadros que afetem a saúde sexual. Além disso, eles também apontam a relação do consumo de alimentos plant-based e não processados com a melhora da disposição e diminuição de sentimentos da tensão, raiva, ansiedade e depressão, uma vez que estes influenciam no estímulo das vias anti-inflamatórias; no suporte da expressão do fator neurotrófico; na interação com os sistemas serotoninérgicos, dopaminérgicos e noradrenérgicos.

 

Pensando na adesão da dieta mediterrânea com foco na melhora da saúde sexual feminina, concluindo que esta adesão resulta na melhora da função sexual de maneira dose-dependente, sem impacto da menopausa e de outros quadros, como a síndrome metabólica. Por fim, o estudo analisou o efeito de vitaminas e minerais (como vitamina D, citrulina, flavonoides e ferro) na modulação da dieta, trazendo a importância de uma alimentação rica em frutas, verduras e legumes.


A saúde sexual da mulher é um dos principais assuntos a serem discutidos na 8ª edição do MBNE 2023. Para otimizar sua rotina clínica, inscreva-se nas cadeiras online do MBNE 2023 e cadastre-se já no MBNE Academy.

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