O envelhecimento celular pode estar associado ao maior acúmulo de lesões decorrentes de espécies reativas do oxigênio e do nitrogênio derivadas do metabolismo mitocondrial. Com a progressão da idade, há um acúmulo maior de proteínas, lipídeos, carboidratos e DNA oxidados em relação a organismos jovens.

As células costumam buscar defesas frente ao estresse oxidativo devido à ação dos diferentes tipos de antioxidantes celulares. É justamente por conta dos eficientes sistemas antioxidantes celulares, inclusive os provenientes da alimentação, que o organismo acaba sendo protegido de envelhecer mais lentamente. Assim, deve-se ressaltar que o estresse oxidativo associado ao envelhecimento não é sistêmico e não afeta de modo similar todos os tecidos e/ou órgãos, variando em relação ao estilo de vida e aos fatores ambientais e genéticos. Relacionado aos fatores de estilo de vida, destacam-se principalmente o balanço na ingestão alimentar de antioxidantes (vitaminas, minerais, compostos fenólicos e outros) e pró-oxidantes (excesso de gorduras, etanol e carboidratos), a ingestão calórica e o nível de atividade física (sedentarismo ou fisicamente ativo). A elevada ingestão alimentar, especialmente de dietas hipercalóricas, promovendo o ganho de peso excessivo, vem sendo associada ao aumento da produção de espécies reativas, induzindo o estresse oxidativo e, consequentemente, precipitando o processo de envelhecimento.

As vitaminas desempenham diversas funções no desenvolvimento e no metabolismo orgânico. Possuem classificação de acordo com sua solubilidade, sendo fundamentais no controle de diversas doenças crônicas e principalmente no combate aos radicais livres, que propiciam o envelhecimento celular. O sistema antioxidante endógeno evita danos celulares, alterações proteicas e o desenvolvimento de patologias. Contudo seu potencial reduz sua função ao longo do tempo por aspectos fisiológicos naturais ou por hábitos inadequados. Para que as enzimas endógenas realizem seu trabalho de forma satisfatória, torna-se necessária a presença de minerais e vitaminas (como zinco, cobre, vitaminas C, E, do complexo B), bem como quantidades de proteínas de boa qualidade. O cobre e zinco são importantes na produção da enzima superóxido dismutase dentro da mitocôndria, na qual a maior parte dos radicais livres é produzida. Já o selênio tem papel essencial para a formação da enzima glutationa peroxidase, com função semelhante à da outra enzima citada.

Quanto às vitaminas, destacam-se a vitamina C e outras do complexo B, necessárias para a produção de catalase extra, enzima também responsável pela ação contra radicais livres. Os antioxidantes oriundos da dieta são indispensáveis para a defesa apropriada contra oxidação e, portanto, possuem importante papel na manutenção da saúde. Considera-se que o efeito benéfico de uma dieta rica em frutas e vegetais está relacionado à oferta de antioxidantes variados. Tais compostos previnem os danos provocados pelos radicais livres, oferecendo o elétron ausente em suas moléculas, assim, estabilizando-o. Todos esses fatores contribuem para o retardo do envelhecimento celular, com aspectos positivos em diversos órgãos.

REFERÊNCIAS

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