O processo de envelhecimento se apresenta como um complexo de mudanças caracterizadas pela perda gradual das funções fisiológicas reguladas por fatores genéticos e ambientais. A restrição calórica (RC), definida como uma redução da ingestão calórica sem desnutrição, é uma das formas de intervenção nutricional amplamente discutida em relação ao prolongamento do tempo de vida.

O mecanismo biológico responsável pelo efeito da restrição calórica na longevidade vem sendo elucidado, tendo como consequências, segundo hipóteses, a redução da gordura corporal e sinalização da insulina, a redução da produção de espécies reativas de oxigênio e atenuação dos danos oxidativos, propiciando um retardo do envelhecimento celular. Os efeitos dessa restrição podem ser mediados pela regulação dos genes envolvidos no reparo celular e na resistência ao estresse, assim como pelos genes responsáveis pela redução na mediação da inflamação e na prevenção de algumas alterações da expressão gênica que ocorrem com a idade. Em relação às teorias estudadas, ressalva-se que uma das primeiras vias de sinalização celular relacionadas à longevidade foi a diminuição das concentrações de glicose determinada pela adenosina monofosfato cíclico (AMP cíclico), dependente da via da proteína quinase A (PKA), que sinaliza a disponibilidade da glicose para células.

Os estudos demonstram que a redução de 20% a 30% de calorias na dieta parece diminuir o risco de desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, apesar de mais estudos serem necessários para identificar os mecanismos celulares e moleculares responsáveis pelos efeitos terapêuticos da restrição calórica. Os fatores moleculares de expressão gênica tornam-se mais ativos diante de uma baixa concentração de glicose. Tais fatores incluem genes de regulação de informação silenciosa, os chamados SIRT nos humanos, que, em sua cascata de resposta, atuam na mobilização de gorduras e na coenzima NAD, assim, promovendo a proteção contra o estresse genotóxico e a morte celular.

A terapêutica relacionada à restrição calórica indica redução de calorias oriundas de alimentos industrializados, priorizando a ingestão maior de frutas, legumes, verduras, grãos integrais e carnes frescas, uma vez que essa redução deve ser monitorada em relação ao aporte adequado de vitaminas e minerais.

REFERÊNCIAS

BORDONE, L; GUARENTE, L. Calorie restriction, SIRT1 and metabolism: understanding longevity. Nat Rev Mol Cell Biol., v. 6, n. 4, p. 298-305, Feb. 2005.

FONTANA, L; MEYER, TE, KLEIN S, HJO. Long-term calorie restriction is highly effective in reducing the risk for atherosclerosis in humans. Proc Natl Acad Sci, USA, v. 101, n. 10, p. 6659-63, Mai. 2004.

GENARO, PS; SARKIS, KS; MARTINI, LA. O efeito da restrição calórica na longevidade. Arq Bras Endocrinol Metab., v. 53, n. 5, p. 667-672, Mai. 2009.

VILLAREAL, DT et al. Bone mineral density response to caloric restriction-induced weight loss or exercise induced weight loss. Arch Intern Med., v. 166, n. 22, p. 2502-10, Ago. 2006.