A acne vulgar é uma das condições cutâneas mais comuns no mundo, sendo caracterizada como afecção crônica, universal, multifatorial, inflamatória ou não inflamatória que, na maioria dos casos, acomete jovens na puberdade. Pode ocorrer de algumas formas: a acne comedônica, que é dominada por comedões abertos e fechados; acne papulopustulosa, que é dominada pelo processo inflamatório; e acne conglobata, que é a forma mais grave de acne, pois, além de apresentar as características das outras formas, possui ainda abcessos, fístulas e pode deixar cicatrizes.

A epidemiologia da acne é difícil de estimar devido às variantes mais leves não serem retratadas aos dermatologistas e, muitas vezes, serem tratadas com medicamentos e fórmulas domésticas. Porém sabe-se que o maior número de relatos de acne se desenvolve em grupos que consomem alta quantidade de glicose – dieta típica das sociedades modernas e industrializadas. A discussão acerca dos alimentos que agravam o quadro acneico é controversa, entretanto as últimas descobertas sobre o impacto potencial que a dieta pode ter na patogênese da acne vulgar não podem ser descartadas.

Acredita-se que a elevada carga glicêmica (CG) da dieta pode influenciar de forma negativa no surgimento e tratamento da acne, isso porque o alto índice glicêmico (IG) leva à hiperinsulinemia, estimulando a secreção de andrógenos, produção aumentada de sebos e modificação nos níveis IGF-1 circulante e proteína de ligação ao fator de crescimento de insulina (IGFBP-3), que afeta diretamente a proliferação e a apoptose dos queratinócitos, fatores comedogênicos, como andrógenos, hormônio do crescimento e glicocorticoides. Um estudo investigou a relação entre acne e CG e IG, sensibilidade à insulina e níveis plasmáticos de IGF-1 no sangue e demonstrou que, no soro de pacientes com acne, níveis maiores de IGF-1 e níveis significativamente mais baixos de IGFBP-3 ocorreram em comparação com pacientes saudáveis.

A causa provável de possíveis efeitos comedogênicos do leite e seus derivados é o conteúdo de hormônios produzidos por vacas durante a gravidez. Acredita-se que o constituinte do leite que estimula principalmente a unidade pilosebácea é o IGF-1, cuja concentração no sangue varia de acordo com a gravidade da acne. Em um estudo, foram avaliados 44 pacientes com acne, neste, evidenciando uma correlação positiva entre a ocorrência de acne e o aumento do consumo de leite e sorvete.

A deficiência de micronutrientes na dieta também é um fator negativo para o aparecimento da acne vulgar. O zinco é um mineral que frequentemente costuma estar em baixa quantidade em pacientes com acnes quando comparads a indivíduos com pele livre dessa condição. Uma alimentação fonte de zinco pode auxiliar na diminuição da acne e do sebo, reforçando sua ação cicatrizante, ceratolítica e anti-inflamatória, sobre os comedões abertos e fechados, por inibição da síntese de prostaglandinas. Em pesquisa, o selênio apresentou ser efetivo no tratamento da acne papulopustulosa devido à sua função anti-inflamatória; sua suplementação demonstrou aumento da enzima antioxidante – glutationa peroxidase –, melhorando o aspecto da acne.

O retinol ou vitamina A apresenta evidências de sua relação com a melhora da acne. Um estudo observou que mulheres suplementadas com vitamina A em doses de 300.000UI tiveram redução significativa no número de pápulas, pústulas e infiltrados nos grupos tratados com esse nutriente. Já o deficit da vitamina B5 pode promover o desequilíbrio do metabolismo dos ácidos graxos, aumentando a probabilidade de ocasionar acne. Pesquisadores também sugerem que a alta ingestão de ácidos graxos ômega-3 pode inibir a produção de citocinas pró-inflamatórias, desse modo, promovendo um efeito terapêutico na acne vulgar.

Em conclusão, é claro que a nutrição possui um importante papel na prevenção e no tratamento da acne vulgar, sendo de extrema relevância que profissionais nutricionistas e dermatologistas atuem em conjunto no combate a essa afecção.

 

REFERÊNCIAS

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