Aspectos de estilo de vida e epigenéticos associados ao envelhecimento saudável

A busca pela longevidade celular é uma realidade cada vez maior dentro do consultório, especialmente na área de Estética. Como a nutrição eficiente, baseada na individualidade bioquímica, pode contribuir com esse benefício e otimizar os resultados estéticos?

O envelhecimento saudável é modulado por uma combinação de fatores genéticos e não-genéticos. Estudos na literatura científica demonstram que cerca de 25% da variação na longevidade humana é baseada na expressão gênica dos indivíduos. A busca por bases genéticas e moleculares do processo de senescência desencadeou a identificação de determinados genes correlacionados com a manutenção da célula e de seu metabolismo básico, como os principais aspectos genéticos que afetam a variação individual do fenótipo nessa fase da vida.

Pesquisas comparam determinados fatores de estilo de vida relacionados ao envelhecimento celular. A restrição calórica e a variabilidade de genes associados à sinalização de detecção de nutrientes mostraram, em diferentes estudos, que a dieta hipocalórica pode modular a expectativa de vida e promover manutenção eficiente da homeostase celular. Outros estudos, mais recentes, relataram as modificações epigenéticas como principais fatores que se baseiam no alcance da longevidade bem-sucedida.

As observações pioneiras de que as modificações epigenéticas afetam não só o processo de envelhecimento, mas também a sua qualidade são exploradas nestes estudos. O exame EpiGenome-Wide Association Studies, por exemplo, identificou diversos locais espalhados por todo o genoma, analisando os níveis de metilação que se modificam de acordo com as diferentes idades cronológicas.

Em particular, Horwat e colaboradores (2014), formularam um modelo matemático, com base nos níveis de metilação de 353 unidades de CpG (regiões no genoma), chamado relógio epigenético. Este método evidencia algumas propriedades importantes que merecem destaque: a previsão da idade cronológica de um sujeito a partir do nível de metilação de células e tecidos de seu corpo; avaliação de biomarcadores mais precisos da idade, superior às estimativas básicas obtidas a partir do comprimento dos telômeros e previsão da idade biológica em tecidos de indivíduos centenários.

Entretanto, a relação causa-efeito entre o processo de metilação e o envelhecimento ainda não está totalmente esclarecida na ciência, evidenciando a importância dos futuros avanços neste campo para auxiliar na compreensão da complexa fisiologia do envelhecimento, da expectativa de vida e das doenças e alterações estéticas associadas à idade.

Por fim, é preciso evidenciar a relevância de que o envelhecimento pode ser amenizado por intervenções dietéticas, genéticas e complementares através de um tratamento integral e preventivo.

O Módulo Pro-aging do MBNE trará palestras, ministradas pelo Dr. Luiz Moreira e Dr. Alexandre Aguiar, direcionadas à Longevidade a Nutrição Estética, com aprofundamento científicos e perspectivas a respeito da modulação nutricional associada ao envelhecimento saudável.

REFERÊNCIAS

PASSARINO, G. Human longevity: Genetics or Lifestyle? It takes two to tango. Immunity & Ageing, v. 13, n. 12, p. 1-6, 2016.

WHITE, M. Longevity: Mapping the path to a longer life. Nature, v. 13, n. 524, aug. 2015.

FONTANA, L; PATRIDGE, L. Promoting Health and Longevity through Diet: from Model Organisms to Humans. Cell, v. 161, n. 1, p. 106-118, 2015.

CARMONA, J; MICHAN, S. Biology of Healthy Aging and Longevity. Rev Invest Clin., v. 68, n. 1, jan. 2016.