Overfat é um termo que se refere à condição do excesso de gordura corporal suficiente para prejudicar a saúde, tendo maior risco de doenças relacionadas à obesidade, incluindo diabetes tipo 2. Essa alteração está presente na maioria dos indivíduos com sobrepeso e obesidade, e também pode ocorrer em pessoas eutróficas especialmente em relação ao excesso de gordura abdominal. Em 2017, Maffetone, Rivera-Dominguez e Laursen estimaram, baseados na população mundial de 2014, que 62-76% dos adultos apresentavam alto teor de gordura corporal em todo o mundo.

A obesidade e o excesso de gordura apresentam forte influência em diversas funções do corpo, incluindo a saúde reprodutiva. Em particular, mulheres obesas apresentam perturbações do eixo ovariano hipotalâmico, sofrendo expressivamente de disfunção menstrual que pode provocar a anovulação e a infertilidade. O tecido adiposo é responsável por liberar moléculas bioativas, as adipocinas, que interagem com diversas vias moleculares de resistência à insulina, inflamação, alteração cardiovascular, coagulação e diferenciação e maturação de oócitos. A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é considerada uma das principais causas da infertilidade em mulheres, que pode ser potencializada com o excesso de tecido adiposo.

Estudos comprovam que mulheres com obesidade necessitam de mais tempo para engravidar. Dois deles, realizados em grandes coortes de mulheres dinamarquesas que planejavam gestações, mostraram uma relação inversa de fecundidade com aumento do Índice de Massa Corporal (IMC).  Gesink e colaboradores também confirmaram reduzida fecundidade em mulheres obesas eumenorréicas, avaliando uma coorte americana de mais de 7000 mulheres acima do peso.

É necessário ressaltar que o gerenciamento de peso é capaz de melhorar os resultados reprodutivos ao favorecer a fertilidade, bem como regular os ciclos menstruais e aumentar a ovulação espontânea e concepção em mulheres anovulatórias com sobrepeso e obesas. Os resultados disponíveis levantados em pesquisar sugerem que a perda de peso de 5% a 10% pode otimizar significativamente a taxa de fertilidade, resultando em uma melhora dos parâmetros do sistema endócrino, como a diminuição de testosterona livre e níveis de LH e insulina.

Os benefícios atribuídos às mudanças no estilo de vida sobre a saúde reprodutiva feminina são postulados na maioria dos estudos que associaram a infertilidade com o excesso de gordura corporal, reafirmando a eficácia de uma alimentação eficiente e prática de exercícios físicos para a modelação do metabolismo em geral.

 

Referências

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