Câncer de mama: epidemiologia e fatores de risco

O Outubro Rosa é uma campanha de conscientização e prevenção do câncer de mama, o segundo câncer mais comum no mundo. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (2020), ele é o mais incidente em mulheres no mundo, representando 24,2% do total de casos em 2018, além de ser a causa mais frequente de morte por câncer em mulheres. No Brasil a taxa de mortalidade em 2018, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), foi de 13,84 óbitos a cada 100.000 mulheres com câncer de mama. Além disso, para 2020, foi estimado 66.280 novos casos no Brasil.

O câncer no geral, ocorre quando há um crescimento celular desordenado que compromete tecidos e órgãos, podendo ser um carcinoma (se desenvolve na pele e na mucosa) ou sarcoma (se desenvolve em tecidos conjuntivos). Classificado como um sarcoma, um câncer maligno, ele tem consistência dura e pode ser identificado através do toque depois que atinge 1cm de diâmetro. Por isso, a campanha do outubro Rosa significa conscientizar sobre os exames preventivos, como mamografia, para diagnóstico precoce e maiores possibilidades de cura.

Seu desenvolvimento é multifatorial, sendo a idade um dos fatores mais importantes (a maior parte dos casos ocorre em mulheres acima dos 50 anos), além de fatores genéticos e hereditários, hormonais, ambientais e comportamentais. O sedentarismo, o excesso de peso (principalmente após a menopausa) e o consumo de bebida alcoolica em excesso são alguns aspectos relacionados com o desencadeamento do câncer de mama, com cada vez mais artigos científicos relacionados.

Sintomas que merecem atenção

Os principais sinais que merecem total atenção são: inchaço, nódulos indolor localizados nas axilas e no pescoço, a pele da mama avermelhada e retraída, alterações no formato dos mamilos com dores e secreção de líquidos. Ao identificar qualquer um desses sinais na sua paciente, é imprescindível indicar que procure um médico, para um diagnóstico assertivo.

Nutrição e câncer

A literatura científica demonstra o importante papel da nutrição na oncologia. Uma das primeiras associações se dá em relação à imunidade, já que a carcinogênese tem íntima ligação com o sistema imunológico, e este, é fortemente influenciado pelos nutrientes, sendo que qualquer deficiência nutricional, pode acarretar em alterações no adequado funcionamento das células imunológicas e todos os mecanismos relacionados, impactado na resposta do sistema imune contra a proliferação das células tumorais e de outros fatores relacionados ao desenvolvimento da doença. Além disso, alguns nutrientes e fitoquímicos exercem papel antioxidante, contribuindo para a redução do dano oxidativo às células, além da redução da proliferação e angiogênese e aumento da apoptose e, portanto, possível redução da iniciação, promoção, progressão e metástases do câncer.

Estratégias nutricionais no câncer de mama

O papel da nutricionista é fundamental para tanto incentivar o autoexame e também para conduzir para a melhora de hábitos alimentares e de vida, contribuindo para a prevenção da doença, como para auxiliar no tratamento das pacientes diagnosticadas com câncer de mama, de forma a promover a qualidade de vida. A literatura científica aponta alguns benefícios de alimentos, nutrientes e compostos bioativos na modulação do câncer de mama:

– Grãos Integrais

O consumo de grãos integrais pode estar associado com a prevenção e controle do câncer de mama. Incentivar o consumo de alimentos integrais é uma conduta nutricional eficiente no combate ao câncer de mama. Um exemplo é em relação ao arroz negro, em que alguns pesquisadores apontaram as antocianinas presentes neste grão como inibidoras dda invasão de células do câncer de mama (HER-2-positivas). A aveia também tem sido associada com a prevenção do câncer de mama, sendo que um polifenol com ação antioxidante presente nela, conhecido como avenantramida, é capaz de reduzir a viabilidade das células cancerígenas associadas ao desencadeamento da doença.

– Frutas e vegetais

O consumo de 90 porções de frutas e verduras por mês (3 porções por dia) diminui as chances de câncer de mama, porém porções muito maiores podem aumentar os riscos. Farvid et al. (2018) demonstrou em seu estudo que houve redução significativa do risco de desenvolvimento do câncer de mama em mulheres que consumiam mais frutas e hortaliças, principalmente crucíferas e vegetais laranjas e amarelos.   

-Vitamina D 

A vitamina D é um micronutriente, com diversas funções no organismo, e uma dessas funções é atuar no desenvolvimento das glândulas mamárias, por terem receptores compatíveis. Alguns estudos apontam a deficiência deste nutriente com o desencadeamento de diversas doenças, inclusive ao câncer de mama. Hossain et al. (2019) concluíram em sua meta-análise de estudos observacionais que a deficiência de vitamina D estava diretamente relacionada com o desenvolvimento do câncer de mama, enquanto a suplementação com este nutrientes, se relacionou de forma inversa com esta patologia.

-Própolis

Vários estudos in vitro abordam atividade citotóxica, de apoptose, de autofagia, de bloqueio ao ciclo celular dos compostos bioativos da própolis, no câncer de mama, principalmente do éster feniletílico de ácido cafeico e da apigenina, através de modulação de diversos mecanismos, inclusive inibição do TLR4, demonstrando o potencial efeito de prevenção a esta doença (SEYHAN et al, 2019; KABAŁA-DZIK et al., 2018; CHANG et al., 2017). Outro mecanismo é via a presença de crisina, que é capaz de inibir a aromatase, enzima alvo de vários tratamentos farmacológicos em doenças hormônio-dependentes, inclusive o câncer de mama. Balam, Ahmadi e Ghorbani (2020) reúnem em uma revisão vários estudos que apontam a crisina derivada da própolis como potencial inibidor da aromatase, promovendo redução da biossíntese de estrogênio e, portanto, podendo ser útil na prevenção e tratamento do câncer de mama dependente de hormônio. 

 

REFERÊNCIAS

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BALAM, F. H.; AHMADI, Z.S.; GHORBANI, A. Inhibitory effect of chrysin on estrogen biosynthesis by suppression of enzyme aromatase (CYP19): A systematic review. Heliyon, v. 6, n.3, 2020. Disponível em: <https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32181408/> Acesso em 13 out. de 2020.