A acne é considerada uma manifestação hormonal superestimulada, das unidades pilossebáceas de indivíduos geneticamente suscetíveis. Os hormônios reprodutivos exógenos, a insulina e o hormônio de crescimento endógeno do tipo insulina-1, originários e estimulados por alimentos lácteos e de alto índice glicêmico, parecem contribuir para essa superestimulação.

A prevalência geral da acne varia entre 35% e 90% nos adolescentes, sendo no ocidente 79% a 95% nessa mesma faixa etária. Observa-se, frequentemente, que a acne acomete 95% dos meninos e 83% das meninas com 16 anos de idade e pode chegar a 100% em ambos os sexos. É um distúrbio com importante impacto genético, relacionado ao controle hormonal, à hiperqueratinização folicular e à secreção sebácea.

A modificação de hábitos alimentares, com a substituição do consumo de alimentos naturais pelos processados e industrializados, apresenta forte contribuição para o desencadeamento da acne.  Evidências científicas visam a consolidar o real efeito da alimentação e nutrição na prevenção dessa doença, com ênfase na utilização de alimentos anti-inflamatórios, com baixa quantidade de lipídeos, baixo índice glicêmico, bem como no controle da ingestão de alimentos lácteos.

Os ácidos graxos do tipo ômega-6 possuem efeito na indução de mediadores pró-inflamatórios e têm sido associados ao desenvolvimento da acne inflamatória. Por outro lado, a ingestão de altos níveis de ácidos graxos ômega-3 associa-se com a diminuição desses fatores inflamatórios, balanceando esses efeitos. O óleo de peixe, especialmente fonte de EPA, tem relação com a inibição da produção de LTB4 envolvido em processos inflamatórios, podendo ter um efeito benéfico no tratamento da acne.

Acredita-se que a carga glicêmica e o índice glicêmico da dieta podem participar na patogênese dessa doença, por conta da hiperinsulinemia que estimula a secreção de androgênis e provoca um aumento da produção de sebo.

Deficiências de micronutrientes são consideradas fatores de risco para o desenvolvimento da acne. Um dos minerais mais citados como coadjuvante do tratamento é o zinco, auxiliando na diminuição da produção de sebo e reforçando a ação cicatrizante, ceratolítica e anti-inflamatória da pele. O cobre também merece atenção, por conta da sua ação antibiótica local, estimulando os processos de defesa orgânicos e aumentando a resistência a infecções virais e microbianas. Ainda, a vitamina A tem se revelado uma grande aliada, por reduzir o número de infiltrados e pápulas.

De acordo com pesquisas científicas, existe uma correlação entre a ingestão de leite de vaca e derivados, e o surgimento da acne. O malefício dessa ingestão exacerbada está relacionado à presença de hormônios produzidos pelo animal, que propiciam o aumento dos hormônios de crescimento e andrógenos, propiciando a hiperinsulinemia, além de ser um alimento considerado alergênico.

 

O combate à inflamação e a cicatrização das lesões decorrentes dessa doença são os principais objetivos das condutas nutricionais específicas para este quadro clínico.

 

REFERÊNCIAS

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