A medicina Ayurveda, originária da Índia, surgiu, há mais de cinco mil anos, com objetivo de utilizar tratamentos de forma terapêutica a partir de ervas medicinais, exercícios de meditação e, principalmente, alimentação especializada. Tem como significado a “ciência da vida ou longevidade”.

As enfermidades são, no geral, tratadas mediante a aplicação de massagens, usos de fitoterápicos, práticas específicas de yoga e uma alimentação adequada para cada indivíduo, que, na maioria dos casos, é baseada em uma dieta ovolactovegetariana, sempre, avaliando os doshas. A Ayurveda define a matéria relacionando os cinco elementos fundamentais: Éter (Espaço), Ar, Fogo, Água e Terra. As características destes elementos, quando combinados, formam os três doshas (ou humores), que são os tipos metabólicos das pessoas.

A forma de se alimentar, a escolha dos alimentos, o ambiente que se frequenta, a qualidade das conversas e as pessoas escolhidas para convivência diária influenciam diretamente nos estados mental e emocional. Por isso, seguir diariamente dicas simples dessa prática medicinal pode fazer uma grande diferença na saúde e qualidade de vida. Na Ayurveda, os alimentos não são tratados da mesma forma que na nutrição tradicional.

A alimentação equilibrada é a chave para uma boa saúde e o bem-estar. Não só os alimentos que são consumidos, mas, também, a forma como são preparados. É importante atentar-se para o diagnóstico dos doshas de cada pessoa e seguir as orientações alimentares específicas para eles.

Cada “humor” possui uma recomendação de alimentos a ser equilibrada. A partir dos 6 sabores – doce, salgado, ácido, amargo, picante e adstringente – pode-se ter uma boa orientação para modular os doshas quando estão fora de equilíbrio por alguma circunstância. Por exemplo, os sabores doce, salgado e ácido equilibram o dosha vata, que é caracteristicamente seco, leve e frio. Já o adstringente, amargo e doce são indicados para o dosha pitta, conhecido por ser oleoso e quente. E os sabores amargo, adstringente e picante, por sua vez, são bons para o dosha kapha, que é frio, oleoso e pesado.

Ayurveda não é uma medicina mística ou alternativa. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu sua funcionalidade para a saúde, em 2004. Desde então, vem implantando estratégias globais para incentivar a propagação desse sistema de tratamento, de forma segura, com regulamentação e maior integração entre produtos, médicos e terapeutas. Nos últimos anos, esse conhecimento está cada vez mais acessível. Para a ciência ayurvédica, a saúde está relacionada a um estado de completude, envolvendo um alto grau de participação do paciente em busca de se alcançar o seu potencial de cura e equilíbrio.

 

REFERÊNCIAS

DEVEZA, A. Ayurveda – a medicina clássica indiana. Rev Med, São Paulo, v. 92, n. 3, p. 156-65, jul. 2013.

NINIVAGGI, F. Saúde Integral com Medicina Ayurvédica: o guia completo para os ocidentais da mais tradicional escola da medicina indiana. São Paulo: Pensamento, 2015.

PIRES, L. O sabor da harmonia: receitas ayurvédicas para o bem-estar. Rio de Janeiro: Bicicleta Amarela, 2017.