A disbiose intestinal é caracterizada por mudanças na qualidade e na quantidade da microbiota, relacionada à sua atividade metabólica e ao seu local de distribuição, com o predomínio de bactérias patogênicas sobre as benéficas. Entre as principais causas, destacam-se o estresse psicológico e fisiológico, a idade e a alimentação. Esse desequilíbrio decorrente da disbiose promove alteração na mucosa intestinal, refletindo em um aumento da permeabilidade e diminuição da seletividade na absorção de toxinas, bactérias, proteínas ou peptídeos, assim, contribuindo para inflamações local e sistêmica, ativando o sistema imunológico e causando alterações dermatológicas, como eritema, urticária, dermatite e acne.

As principais causas desta alteração estão no uso indiscriminado de antibióticos, que destroem tanto as bactérias úteis como as nocivas, além de favorecerem o crescimento de fungos, produzirem toxinas que irritam diretamente a barreira intestinal e aumentarem a permeabilidade intestinal, absorvendo, consequentemente, as toxinas pela corrente sanguínea.

A influência benéfica dos probióticos sobre a microbiota intestinal humana está relacionada ao aumento da resistência contra patógenos, estimulando a multiplicação de bactérias benéficas ao hospedeiro e reforçando os mecanismos naturais de defesa. Os probióticos mais utilizados são as bactérias produtoras de ácido láctico como Lactobacillus e Bifidobacterium, que fermentam, principalmente, fibras prebióticas (também advindas da alimentação) acentuando de forma significativa o valor nutritivo dos alimentos, pelo aumento dos níveis de vitaminas do complexo B e aminoácidos, e absorção de cálcio, ferro e magnésio. Ao serem ingeridos através dos alimentos, deslocam-se para o intestino e se aderem à microbiota já existente, sem se fixarem, equilibrando e auxiliando na absorção dos nutrientes. Suas principais ações funcionais são:

– Nutricional: síntese de vitaminas do complexo B e vitamina K, participando de forma importante para o pool desta vitamina no organismo;

– Digestória: auxilia na produção de enzimas digestivas, sobretudo da enzima lactase, além de regular o trânsito intestinal e a absorção dos nutrientes;

– Cardiovascular: apresenta um papel na normalização do colesterol e triglicerídeos plasmáticos;

– Metabólica: produção de ácidos graxos de cadeia curta (como o butirato), que são substratos energéticos para os colonócitos, promovendo, em condições ideais, 40-50% da energia requerida. Além disso, as bactérias probióticas podem auxiliar na produção de enzimas do complexo citocromo P450, que estimulam a expressão gênica desse complexo no fígado e favorecem a detoxificação hepática.

Por conta disso, ao levar em consideração os aspectos clínicos mencionados, é de extrema importância uma alimentação adequada, composta por alimentos in natura, fontes de prebióticos e probióticos, com o intuito de adquirir equilíbrio da microbiota intestinal, e assim prevenir a disbiose e os distúrbios estéticos associados.

 

REFERÊNCIAS

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