Inter-relações entre microbioma intestinal e saúde da pele

Modulação intestinal é um dos temas mais abordados na ciência, especialmente pela sua associação direta com a saúde e a estética. Quais as melhores condutas a serem adotadas no paciente com desequilíbrio do intestino?

O intestino humano possui milhares de espécies bacterianas que mantém um estado de simbiose e habitam especialmente a parte inferior do órgão.  Uma recente revisão bibliográfica (2018) descreveu os mecanismos de como a microbiota intestinal se comunica com a pele, sendo caracterizada como um dos principais reguladores do eixo intestinal. Os autores levantaram hipóteses observadas em estudos da área a respeito do processo de diferenciação e queratinização da pele, sua influência na modulação da resposta imune cutânea em diferentes desordens estéticas e a importância do conhecimento sobre essa comunicação para adotar estratégias eficientes no controle das alterações dérmicas, principalmente no decorrer do envelhecimento.

Caracterizada como um órgão em constante renovação, a pele passa por diferentes processos para manter seu estado de homeostase.  O principal mecanismo envolvido na sua relação com a microbiota intestinal se dá pelo efeito modulatório dos comensais intestinais na imunidade sistêmica. Alguns metabólitos do intestino e certas cepas de microrganismos – ácido retinoico, polissacarídeo A de Bacteroides fragilis, Faecalibacterium prausnitzii e bactérias pertencentes ao Clostridium cluster IV e XI são capazes de promover o acúmulo de células T reguladoras, linfócitos capazes de facilitar as respostas contra liberação de mediadores inflamatórios e redução da inflamação.

Novas descobertas demonstram que o impacto que o microbioma intestinal pode desencadear na fisiologia cutânea e a resposta imune mais direta, através da permeabilidade intestinal que propicia a passagem de metabólitos para o plasma e, consequentemente, para a pele, alterando sua homeostase.

Estudos avançados feitos com modelos animais e com humanos mostrou os efeitos benéficos entre as bactérias do intestino e a aparência da pele. Um deles realizado por Levkovich et al. (2013) trouxe resultados positivos na suplementação de Lactobacillus reuteri no aumento da espessura dérmica e da foliculogênese, além de potencializar a produção de sebócitos e melhorar o brilho da pele.

O Módulo Modulação Intestinal com foco em Estética, do MBNE 2019, evidenciará os manejos nutricionais como a prescrição de paraprobióticos e outros componentes importantes para a saúde do intestino, trazendo a sua inter-relação com a homeostase da pele e prevenção de desordens estéticas, as palestras serão ministradas pelo Dr. Murilo Pereira e a Dra. Renata Bagarolli.

REFERÊNCIAS

 SALEM, I. et al. The Gut Microbiome as a Major Regulator of the Gut-Skin Axis. Microbiol Frontal, v. 9, n. 1459, p. 1-14, 2018.

LEE, S.  et al. Therapeutic effect of tyndallized Lactobacillus rhamnosus IDCC 3201 on atopic dermatitis mediated by down-regulation of immunoglobulin E in NC/Nga mice. Microbiol. Immunol., v. 60, p. 468–476, 2016.

LEE, W. J. et al. Influence of substance-P on cultured sebocytes. Arch. Dermatol. Res., v. 300, p. 311–316, 2009.

LEVKOVICH, T. et al. (2013). Probiotic bacteria induce a ‘glow of health’. PLoS One, v. 8, n. 1, p. 1-11, 2013.