Nome da fruta: Mirtilo ou Blueberry (Vaccinium myrtillus)
Composição nutricional: principal fonte de flavonoides, como antocianidinas (glicosídeos de cianidina, pelargonidina e peonidina), flavonóis (glicosídeos de caempferol e quercetina), flavanóis, naringenina, ácidos fenólicos, taninos hidrolisáveis e resveratrol.
Como prescrever: Incluir no café da manhã misturado com granolas, nibs de cacau, iogurtes, ou congelar para preparo de smoothies e receitas variadas no dia a dia do paciente.

Aplicações do mirtilo na nutrição estética e emagrecimento
Por conta da concentração de componentes ativos nas berries e frutas vermelhas, os estudos mostram a eficácia desses compostos na modulação de alguns parâmetros fisiológicos, principalmente associados à inflamação e ao estresse oxidativo.

A inflamação induzida pelo excesso de gordura corporal é um processo a ser modulado nas estratégias de reprogramação gênica para gerenciamento de peso, dentro da nutrição estética. Ela se associa à infiltração de tecidos metabolicamente ativos por células imunes inflamatórias, propagando uma inflamação crônica de baixo grau. Assim, a inclusão de fitonutrientes com capacidade de amenizar esse processo pode ser vantajosa no atendimento da nutrição clínica e estética.

Em uma revisão conduzida por Land et al. (2021), os autores avaliaram os efeitos das berries, principalmente o mirtilo, na redução de citocinas pró-inflamatórias como NF-κB, IL-6, TNF-α, e na redução de marcadores de estresse oxidativo, graças ao seu teor expressivo de antocianinas e componentes fenólicos.

Outro trabalho feito por Bertoia et al. (2016) analisou questionários de frequência alimentar de 124.000 participantes divididos em 3 modelos de coortes diferentes (Health Professionals Follow-up Study, Nurses ‘Health Study, e Nurses’ Health Study II), onde os pesquisadores observaram que o aumento no consumo de de flavonoides, incluindo antocianinas, presentes no extrato de mirtilo levava a uma perda de peso significativa em homens e mulheres, com idades entre 27 a 65 anos, em um acompanhamento de 24 anos. Em 4 anos, a ingestão de meia xícara de mirtilo resultou em uma perda de peso de aproximadamente 1,03 kg, associada à melhoria da saúde.

Um outro estudo, de Basu et al. (2010), 48 indivíduos, principalmente mulheres, com síndrome metabólica e índice de massa corporal de sobrepeso e obesidade, receberam por 8 semanas uma bebida de mirtilo liofilizado, concentrando 742 mg de antocianinas totais e 1624 mg de polifenóis totais. No grupo de intervanção, houve redução das pressões sanguíneas sistólica e diastólica, do LDL oxidado no plasma e das concentrações de malondialdeído e hidroxinonenal sérico, marcadores associados ao estresse oxidativo proveniente do excesso de tecido adiposo. Assim, os resultados sigerem que a bebida de mirtilo poderia contribuir para melhorar a síndrome metabólica e os fatores de risco cardiovascular.

Aplicações do mirtilo na saúde da mulher

O consumo de mirtilos na rotina das mulheres também é promissor, graças ao seu conteúdo de polifenois e antocianinas capazes de atuar com alta propriedade antioxidante e anti-inflamatória, podendo auxiliar nas principais queixas desse público, seja por sintomas do período pré-menstrual, onde aumenta-se o estado de inflamação do corpo, ou em outras condições clínicas comuns, como endometriose e síndrome do ovário policístico. Contudo, alguns estudos mostram outros benefícios importante do consumo da fruta na rotina do público feminino.

Um estudo de Blum et al. (2020) examinou o impacto positivo da dieta enriquecida com mirtilo em células responsáveis pelo crescimento e reparo muscular em mulheres. O estudo acompanhou 22 mulheres por 6 semanas que receberam 1,75 xícaras de mirtilos frescos por dia, associados a uma refeição regular. Os resultados do soro avaliados nas participantes mostraram que, naquelas com idades d 25 a 40 anos, as células progenitoras do músculo aumentaram, tornando um efeito positivo para fortalecer a musculatura desse público.

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Referências
Kalt. Et al. Pesquisa recente sobre os benefícios para a saúde de mirtilos e suas antocianinas. Avanços na nutrição (Bethesda, Md.), v. 11, n 2, p. 224-236, 2020.
Basu A. et al. Blueberries decrease cardiovascular risk factors in obese men and women with metabolic syndrome. J Nutr., v. 140, n.9, p. 1582-7, sep. 2010.
Bertoia M. et al. . Dietary flavonoid intake and weight maintenance: three prospective cohorts of 124,086 US men and women followed for up to 24 years. BMJ., v. 28m, p. 352, jan. 2016.
Azzini, Elena et al. Antiobesity Effects of Anthocyanins in Preclinical and Clinical Studies. Medicina oxidativa e longevidade celular, 2017.
Land Lail. et al. Bagas como tratamento para a inflamação induzida por obesidade: Evidência de modelos pré-clínicos. Nutrients, v. 13, n. 2, 2021.