O melasma é uma condição estética que afeta diretamente a autoestima e pode comprometer a qualidade de vida dos pacientes, especialmente do público feminino. É caracterizado como um distúrbio pigmentar que se manifesta como máculas hiperpigmentadas simétricas, além de manchas na face que afetam majoritariamente as mulheres em fase reprodutiva.

Os fatores de risco para desenvolvimento de melasma incluem a predisposição genética, exposição à radiação ultravioleta (UV), alterações de hormônios sexuais e desequilíbrio na tireoide. A patogênese envolve diferentes mecanismos ainda estudados pela literatura científica, sendo alguns mais avançados em termos de comprovação, como o envolvimento de fatores de crescimento vascular, papel de gene H19, expressão de óxido nítrico sintase e outros fatores possivelmente genéticos.

Os estudos mais recentes demonstram que o perfil hormonal em pacientes com melasma se encontra  comumente alterado. Os níveis de hormônios luteinizantes se elevam e os de estradiol sérico, frequentemente, reduzem, sugerindo evidências subclínicas de uma disfunção ovariana leve. Ainda, algumas pesquisas mostraram associação significativa entre autoimunidade tiroidiana e melasma.

A melanocitose e melanogênese são responsáveis pela hiperpigmentação na fisiopatogenia do melasma. O fator de crescimento endotelial vascular aumenta na pele que apresenta lesões de melasma, o que significa ativação da vascularização. A radiação ultravioleta do tipo B é capaz de estimular a síntese dos hormônios alfaestimulante de melanócitos (α-MSH) e adrenocorticotrópico (ACTH). Estes, por sua vez, ligam-se ao receptor de melanocortina-1 (MCR-1), induzindo a proliferação de melanócitos e o aumento da produção de melanina.

Diante disso, deve-se ressaltar o papel eficiente da nutrição estética na redução e prevenção de melasma. Os antioxidantes dietéticos têm como finalidade suprimir os intermediários reativos gerados em mecanismos do estresse fotoxidativo, atuando especificamente como absorventes dos raios UV e/ou modulando vias de sinalização ativadas pela radiação.

 

Uma revisão bibliográfica (2014) comprovou, através de diferentes ensaios randomizados e duplo-cegos, a segurança e a eficácia da administração oral de procianidina com vitaminas A, C e E em mulheres que apresentavam melasma epidérmico. Além disso, o extrato de semente de uva, rico em proantociadinas, também demonstrou ação positiva no tratamento de mulheres japonesas com melasma, assinalando a redução na hiperpigmentação após 5 meses antes da exposição ao sol do verão.

 

Referências

SARKAR, R. et al. Melasma update. Indian Dermatol Online J., v. 5, b. 4, p. 426-435, dec. 2014.

LOZER, P. et al. Melasma: uma abordagem nutricional. Rev Bras Nutr Clin., v. 29, n. 1, p. 86-90, 2014.

OLUWATOBI, A. et al. Melasma: an Up-to-Date Comprehensive Review. Dermatol Ther., v. 7, n. 3 p. 305-318, 2017.

PICHARDO, R. et al.  The Prevalence of Melasma and Its Association with Quality of Life among Adult Male Migrant Latino Workers. Int J Dermatol., v. 48, n. 1, p. 22-26, 2009.