A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é ​​a endocrinopatia feminina mais comum e afeta de 15% a 18% das mulheres em idade reprodutiva.

Níveis hormonais elevados, composição do microbioma intestinal e metabolômica do plasma fazem parte do fenótipo da SOP, contudo, o tratamento individualizado continua sendo a principal abordagem com maior efetividade no controle dos sintomas e na prevenção de câncer de endométrio e ovário.

Fisiopatologia da SOP

As quatro principais causas da base fisiopatológica da SOP incluem:

  • distúrbios da síntese hormonal de gonadotrofinas que acontece no eixo hipotálamo-hipófise-ovários;
  • aparecimento de resistência à insulina (RI);
  • influência do excesso de gordura corporal presente;
  • vias metabólicas envolvidas na SOP, como secreção e ação da insulina na esteroidogênese e em outras vias metabólicas e hormonais.

Estratégias nutricionais no controle da SOP

As estratégias nutricionais devem ser designadas com base na sintomatologia da paciente, entretanto, levando em consideração a fisiopatologia, vale destacar alguns manejos que podem auxiliar a prática clínica:

Composição corporal, resistência à insulina e inflamação

O ganho de peso agrava a sensibilidade à insulina devido a produção de espécies reativas de oxigênio (EROs) induzidas por adipócitos no músculo esquelético, as quais prejudicam o funcionamento celular causando disfunção mitocondrial e RI.

A associação do peso com a RI é mediada por vias inflamatórias, onde a obesidade provoca alterações na liberação de citocinas, que por sua vez interferem nos efeitos endócrinos. O aumento da leptina e a redução da adiponectina resulta em uma resposta inflamatória de baixo grau, promovendo então um ambiente obesogênico com resposta inflamatória generalizada de baixo grau.

Além disso, o estresse oxidativo (EO) estimulado por lipídios pode ser um dos principais fatores de RI e hiperandrogenismo na SOP. E isso não só pelas células adiposas, mas também em resposta à ingestão de açúcares simples e ácidos graxos saturados.

A ingestão de açúcar refinado e de gordura saturada na patogênese da SOP

A dieta rica em açúcares simples e ácidos graxos saturados aumenta adicionalmente a produção de EROs por mecanismos diversos, inclusive por influência da microbiota intestinal.

A microbiota intestinal, assim como seus metabólitos, têm efeitos sobre apetite, metabolismo de carboidratos e lipídios; assim como no peso corporal. O consumo de fibras visando a produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) por bifidobactérias está relacionado com secreção de insulina, aumento da tolerância à glicose, regulação de RI e redução da inflamação.

Isso porque butirato e acetato influenciam a glicemia através do peptídeo 1 semelhante ao glucagon (GLP-1) e do polipeptídeo pancreático (PPY), que são hormônios intestinais com impacto positivo na saciedade.

Impacto do valor calórico total da dieta e índice glicêmico na sintomatologia da SOP

Na revisão de Szczuko et al (2021) foi verificado que a proporção de energia proveniente de macronutrientes (carboidratos, proteínas e gorduras) não mostrou diferenças significativas, no entanto, a redução do valor calórico da dieta e o manejo do índice glicêmico teve impacto positivo nos parâmetros bioquímicos com redução de RI, insulina em jejum, colesterol total, lipoproteína de baixa densidade (LDL), triglicerídeos e testosterona total em comparação com os resultados de dietas de alto IG.

Além disso, dietas de baixo IG podem influenciar positivamente os hormônios reguladores da fome e da saciedade, incluindo grelina e glucagon.

A análise dos sintomas metabólicos precisa ser feita individualmente para adoção de condutas pertinentes ao quadro e, assim, ter melhora de parâmetros relacionados à fertilidade, hirsutismo, metabolismo, entre outros. Estratégias para melhorar a qualidade do sono e a introdução de atividade física também se mostraram relevantes.

O uso de cúrcuma e a probioticoterapia apresentaram benefícios, principalmente, quando associados ao aumento da oferta de inositol, tiamina, coenzima Q10, vitamina D, zinco e selênio.

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REFERÊNCIAS

SZCZUKO, Małgorzata et al. Nutrition Strategy and Life Style in Polycystic Ovary Syndrome: narrative review. Nutrients. Polônia, p. 1-18. 18 jul. 2021. Disponível em: https://www.mdpi.com/2072-6643/13/7/2452/htm. Acesso em: 24 mar. 2022.