A psoríase é uma doença inflamatória crônica da pele, mediada por células T e caracterizada por lesões eritematoescamosas, aumento na proliferação celular e padrões anormais de diferenciação dos queratinócitos. Sua prevalência mundial é estimada em 2% sem predileção por sexo nem por faixa etária, sendo mais comum entre a terceira e a quarta décadas, no sexo feminino e em indivíduos com histórico familiar. As causas são desconhecidas, porém uma predisposição genética associada a fatores ambientais como tabagismo, ingestão de álcool, alimentação inadequada, infecções, drogas e eventos estressantes, constituem uma etiologia plausível.

Devido à inflamação crônica provocada pela própria doença, os indivíduos com psoríase estão sujeitos a alterações sistêmicas no organismo, como resistência insulinêmica, modificações no perfil lipídico, obesidade e aumento do risco cardiovascular. Diversos estudos apontam uma larga relação entre a psoríase e o desenvolvimento de doenças crônicas associadas, como hipertensão arterial, dislipidemia, diabetes mellitus tipo 2 e esteatose hepática não alcoólica, além de maior suscetibilidade para síndrome metabólica.

O tratamento nutricional aplicado em pacientes com psoríase (associado ao controle das variáveis bioquímicas e antropométricas) propicia uma maior estabilidade clínica, prevenindo doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e aumentando a longevidade celular. Assim, a alimentação pode influenciar na psoríase de duas maneiras diferentes: como causa das desordens metabólicas ou como tratamento e prevenção.

O aporte de vitaminas e minerais, ácidos graxos poli-insaturados (ômega 3) e dietas com baixa densidade calórica podem influenciar positivamente no tratamento da psoríase. Acredita-se que os carotenoides e os minerais (ferro, cobre, manganês, zinco e selênio) possuem capacidade antioxidante capaz de diminuir o estresse oxidativo e a produção de espécies reativas de oxigênio, principalmente na presença de inflamação sistêmica, como é o caso da psoríase. Adicionalmente, as fibras alimentares também possuem um papel importante na inflamação, além de contribuir para o melhor controle glicêmico, insulinêmico e lipidêmico dos alimentos.

Os pacientes com psoríase costumam apresentar um estado nutricional comprometido, aumentando o risco para doenças crônicas relacionadas à obesidade, agravamento das lesões e baixa qualidade de vida. Pode-se dizer, portanto, que a dieta é um fator importante na patogênese dessa doença.

 

REFERÊNCIAS

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