Os efeitos nocivos da energia solar resultam em diferentes alterações e disfunções da pele. O próprio órgão possui sistemas de defesa contra esses efeitos, mas que, com o processo do envelhecimento, tornam-se menos eficientes. A fotoproteção dérmica é modulada por alguns mecanismos fisiológicos, que incluem a síntese de melanina, o espessamento epidérmico e a rede antioxidante.

Os reparos das lesões provocadas pela radiação solar são realizados através dos mecanismos citados anteriormente. Quando os queratinócitos sofrem danos irreparáveis, inicia o processo de apoptose celular. Contudo a exposição solar em excesso e de forma crônica pode sobrecarregar os mecanismos compensatórios, levando ao fotoenvelhecimento e ao desenvolvimento de malignidades cutâneas. Por conta disso, estratégias exógenas para modular tais mecanismos de defesa tornam-se essenciais mediante alimentação e complementação nutricional.

A proteção exógena à luz solar inclui a modulação de micronutrientes responsáveis por estimular a pigmentação, aumentar a síntese de enzimas antioxidantes, especialmente glutationa peroxidase e superóxido dismutase, e atuar como antioxidantes não enzimáticos, no caso da vitamina C e E. A sensibilidade dos fibroblastos dérmicos à radiação UVA vem sendo associada a uma diminuição nos níveis de glutationa intracelular. A enzima responsável por eliminar os radicais livres e as  espécies reativas de oxigênio, a glutationa peroxidase, é dependente de selênio.

Uma recente revisão bibliográfica (Favrot et al., 2018) avaliou os efeitos da suplementação de selênio sobre os queratinócitos da pele no início e após a exposição à radiação ultravioleta A (UVA). Segundo os estudos avaliados pelos pesquisadores, o uso de doses baixas de selênio demonstrou potente proteção contra citotoxicidade induzida por UVA em células jovens, diferentemente de queratinócitos mais velhos, que dependeram de uma quantidade maior de suplementação com selênio.

 

A capacidade de reparo do DNA em queratinócitos antigos reduziu significativamente no início e após a exposição solar. Quando feita a suplementação de selênio, houve um aumento no reparo oxidativo do DNA, especificamente na 8-oxoguanina (8oxoG).

 Assim, o fortalecimento das atividades reparadoras do DNA com suplementação de selênio pode ser  uma nova estratégia eficiente para minimizar o o envelhecimento celular precoce e o fotoenvelhecimento da pele.

REFERÊNCIAS

 

FAVROT, C. et al. Age-Dependent Protective Effect of Selenium against UVA Irradiation in Primary Human Keratinocytes and the Associated DNA Repair Signature. Oxidative Medicine and Cellular Longevity, v. 2018, p. 1-9, 2018.

AMARO-ORTIZ, A. et al. Ultraviolet Radiation, Aging and the Skin: Prevention of Damage by Topical cAMP Manipulation. Molecules, v. 19, p. 6202-6219, 2014.

SVOBODOVÁ, A.; VOSTÁLOVÁ, J. Solar radiation induced skin damage: Review of protective and preventive options. Int. J. Radiat. Biol., v. 86, n. 12, p. 999-1030, dec. 2010. PARK, K. Role of Micronutrients in Skin Health and Function. Biomol Ther., v. 23, n. 3, p. 207-217, 2015.