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Fertilidade na Mulher: como modular por meio da nutrição integrada?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a infertilidade acometa em torno de 15% dos casais. É considerado infértil um casal que mantém relações sexuais sem métodos contraceptivos durante 12 meses sem engravidar. A incidência de infertilidade permanece alta, apesar do aumento do uso de tecnologias de reprodução assistida.

No Brasil, número de pessoas inférteis pode atingir até 8 milhões. As causas da infertilidade são diversas, sendo que, é estimado que cerca de 35% dos casos de infertilidade estão associados à mulher, 35% ao homem, 20% a ambos e 10% são provocados por fatores desconhecidos. As alterações na fertilidade aumentaram significativamente nos últimos anos, sendo impactados por estilos de vida não saudáveis, sobretudo associados à alimentação desequilibrada, sedentarismo e alto nível de estresse. Esses fatores normalmente não são detectados, o que leva muitos casais a procurarem tratamentos de reprodução assistida, sem que seja corrigido o problema.

Sabe-se através de estudos que a alimentação, atividade física e estilo de vida saudável têm efeito positivo na fertilidade e na concepção. Estudos também demonstram um risco maior de infertilidade para mulheres classificadas abaixo do peso e com obesidade. Com isso, a modulação da nutrição na fertilidade da mulher tem sido muito discutida no meio cientifico e na área clínica.

A vitamina D, por exemplo, é um nutriente em discussão quando se trata de fertilidade. Por ser um hormônio esteroide, a vitamina D também é capaz de participar da regulação de tecidos gonadais em mulheres, uma vez que os ovários, o endométrio e a placenta possuem receptores de vitamina D (VDR) e sua deficiência pode prejudicar a fertilidade.

Outros estudos relatam que o consumo exacerbado de carnes processadas, gorduras e cafeína pode aumentar o risco para infertilidade em mulheres. Pensando em prevenção, o consumo de ômega-3 pode estar associado com a melhora da condição.

A vitamina E, por sua vez, é um nutriente que parece estar associado com um efeito positivo nos problemas reprodutivos em mulheres, graças ao seu potente efeito antioxidante, pois auxilia na prevenção de danos oxidativos nos tecidos gonadais.

Ainda, ressalta-se a importância de compostos ativos, como por exemplo, suplementos de soja, especificamente a base de isoflavona. Ela apresenta efeitos positivos para combater a infertilidade, visto que auxilia na ovulação.

A Dra. Debora Valadão abordará em sua palestra do Módulo Saúde da Mulher do MBNE 2020 as estratégias de modulação da fertilidade por meio da nutrição integrada, a fim de amenizar esses impactos e ter efeitos benéficos na saúde da mulher.

 

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REFERÊNCIAS

ALVAREZ, S. Do some addictions interfere with fertility? American Society for Reprodutive Medicine. V.103, p. 22 – 26, jan.2015.

PANTH, N., et al. The Influence of Diet on Fertility and the Implications for Public Health Nutrition in the United States. Front Public Health. 2018; 6: 211.

ARSLAN, S.; AKDEVELIOğLU, Y. The Relationship Between Female Reproductive Functions and Vitamin D. Journal Of The American College Of Nutrition. Turkey, p. 1-7. mar. 2018.

CHEN, W. et al. Vitamin D deficiency and high serum IL-6 concentration as risk factors for tubal factor infertility in Chinese women. Journal Of Nutrition. Shangai, p. 1-25. nov. 2017.

CHIU, Y. et al. Association Between Pesticide Residue Intake From Consumption of Fruits and Vegetables and Pregnancy Outcomes Among Women Undergoing Infertility Treatment With Assisted Reproductive Technology. Jama Intern Med. Boston, p. 17-26. jan. 2018.

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