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Estratégia complementar à saúde mental da mulher com bioativos

A saúde mental tornou-se um dos principais assuntos estudados desde o início da pandemia causada pela COVID-19, tendo como principal público-alvo as mulheres. De acordo com dados coletados pela Organização das Nações Unidas, cerca de 70% dos trabalhos do setor da saúde, educação e serviços sociais são exercidos por mulheres, tornando-as responsáveis pelos cuidados e manutenções em trabalho (FGV, 2020).

Além da sobrecarga no trabalho, as mulheres também se sentem sobrecarregadas devido ao seu papel diante da família, fazendo com que muitas desenvolvam quadros de ansiedade, depressão e, até mesmo, sejam diagnosticadas com “Síndrome do Burnout”. A fim de auxiliar no tratamento desses problemas, estudiosos analisam os benefícios da suplementação com compostos bioativos.

O que é a Síndrome do Burnout e qual o impacto na qualidade de vida?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a “Síndrome do Burnout” está inclusa, na 11ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11), como um fenômeno ocupacional, sendo uma resposta individual ao estresse crônico e progressivo (PAHO, 2019; VALSANIA et al., 2022) .

O diagnóstico desse quadro é capaz de causar sintomas como exaustão; alterações psicológicas; distanciamento mental; distúrbio do sono; problemas gastrointestinais; falta de vontade de sair de casa; entre outros. Estes sintomas diminuem a qualidade de vida dessas mulheres, principalmente quando há resistência ao tratamento, que deve ser realizado pelo acompanhamento com um psiquiatra e psicólogo (Ministério da Saúde).

Além disso, é de suma importância ressaltar que, além de Burnout, as mulheres também sofrem com o diagnóstico de depressão e ansiedade, e, de acordo com estudos, o consumo de compostos bioativos, como o ômega-3, vitamina D, fitoquímicos e ácido fólico são capazes de otimizar os resultados do tratamento.

Saúde mental X Compostos bioativo

Uma alimentação desequilibrada, pobre em nutrientes e rica em alimentos ultraprocessados influencia diretamente na qualidade de vida da paciente, deixando o organismo mais suscetível ao desenvolvimento de diferentes quadros. Por isso, a adequação e suplementação se faz essencial.

  • Ômega-3:

Reconhecido por seus benefícios na proteção neurológica, o ômega-3 vem sendo estudado como um nutriente com possível mecanismo antidepressivo. De acordo com Zhou et al. (2022), o ômega-3 possui mecanismo antineuroinflamatório; antioxidante; modulador do eixo HPA; antineurodegenerativo; neuroplástico sináptico; e modulador de neurotransmissores. Todos estes mecanismos podem estar associados à melhora dos sintomas de quadros psicológicos, principalmente quando associados com práticas saudáveis de vida.

  • Vitamina D :

Os baixos níveis de vitamina D influenciam no desenvolvimento e/ou piora de diferentes quadros como a depressão. Uma revisão sistemática (GUZEK et al., 2021) analisou que a suplementação com vitamina D, principalmente quando associada com a prática diária de atividade física, é capaz de corrigir a deficiência do nutriente e, assim, garantir restabelecimento do bem-estar mental.

  • Fitoquímicos:

Os fitoquímicos possuem mecanismos que estão além da coloração de alimentos. De acordo com um estudo transversal conduzido por Mofrad et al. (2019),  o índice de fitoquímicos da dieta é capaz de ser responsável por atenuar a prevalência de sintomas psicológicos em mulheres adultas, tendo em vista seu efeito na melhora das vias antioxidantes.

 

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REFERÊNCIAS

  1. FGV EASESP (Brasil). Mulheres na pandemia: entre as responsabilidades e a exaustão. 2020. Disponível em: https://eaesp.fgv.br/noticias/mulheres-pandemia-entre-responsabilidades-e-exaustao.
  2. BRASIL. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAðDE. CID: burnout é um fenômeno ocupacional. 2019. Disponível em: FGV EASESP (Brasil). Mulheres na pandemia: entre as responsabilidades e a exaustão. 2020. Disponível em: https://eaesp.fgv.br/noticias/mulheres-pandemia-entre-responsabilidades-e-exaustao.
  3. EDð-VALSANIA, Sergio et al. Burnout: a review of theory and measurement. International Journal Of Environmental Research And Public Health, [S.L.], v. 19, n. 3, p. 1780, 4 fev. 2022. MDPI AG. http://dx.doi.org/10.3390/ijerph19031780. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC8834764/
  4. MINISTÉRIO DA SAðDE. Síndrome de Burnout. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/sindrome-de-burnout.
  5. ZHOU, Lie et al. Possible antidepressant mechanisms of omega-3 polyunsaturated fatty acids acting on the central nervous system. Frontiers In Psychiatry, [S.L.], v. 13, p. 1-19, 31 ago. 2022. Frontiers Media SA. http://dx.doi.org/10.3389/fpsyt.2022.933704. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC9473681/.
  6. GUZEK, Dominika et al. Association between Vitamin D Supplementation and Mental Health in Healthy Adults: a systematic review. Journal Of Clinical Medicine, [S.L.], v. 10, n. 21, p. 5156, 3 nov. 2021. MDPI AG. http://dx.doi.org/10.3390/jcm10215156. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC8584834/.
  7. MOFRAD, Manije Darooghegi et al. Association of dietary phytochemical index and mental health in women: a cross-sectional study. British Journal Of Nutrition, [S.L.], v. 121, n. 09, p. 1049-1056, 4 fev. 2019. Cambridge University Press (CUP). http://dx.doi.org/10.1017/s0007114519000229. Disponível em: https://www.cambridge.org/core/journals/british-journal-of-nutrition/article/association-of-dietary-phytochemical-index-and-mental-health-in-women-a-crosssectional-study/A6EE799B3825AAB5C9FE2456B23C3E63.  

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