Revista de publicação: Microorganisms
Ano de publicação: 2021
Autores: Britta De Pessemier, Lynda Grine, Melanie Debaere, Aglaya Maes 1 , Bernhard Paetzold e Chris Callewaert.

Resumo
O eixo intestino-pele pode ser considerado um marcador relacionado ao risco de doenças do tecido cutâneo, como dermatites e psoríase. O microbioma intestinal é considerado um regulador do sistema imunológico, mantendo a homeostase por meio da comunicação com tecidos e órgãos de forma bidirecional. A recente revisão reuniu evidências sobre a disbiose do microbioma intestinal, ligações dietéticas e sua interação com as doenças da pele, a fim de desenvolver novas abordagens terapêuticas, considerando essa modulação.

Introdução
A pele é a primeira barreira contra o ambiente externo e o impacto de diferentes fatores externos que podem interferir na sua homeostase. O trato gastrointestinal, por sua vez, é uma das maiores interfaces entre o hospedeiro e o meio ambiente, que também sofre influência dos mesmos fatores. Tanto o intestino quanto a pele estão imersos em uma microbiota, sendo ambas responsáveis pelo equilíbrio ou desequilíbrio funcional.

O microbioma se refere aos genomas presentes em um determinado ambiente, classificado pela junção de todo o seu material genético (DNA e RNA). O potencial imunomodulador do microbioma intestinal em órgãos distantes, como por exemplo a pele, é um ramo em constante atualização de pesquisas na ciência com resultados promissores para focos terapêuticos.

Nessa revisão, foram retratados os estudos que trouxeram descobertas recentes da associação entre a pele e o microbioma intestinal em várias doenças cutâneas, destacando alguns mecanismos potenciais subjacentes ao eixo intestino-pele.

Disbiose intestinal e a relação com a pele
A disbiose no sistema gastrointestinal é associada a doenças inflamatórias, como dermatites e psoríase. A conexão entre a pele e o intestino parece ser mediada pelo sistema imunológico, local onde ocorre a interação dos microrganismos responsáveis por manter a homeostase da pele.

Nesse sentido, destaca-se a produção dos ácidos graxos de cadeia curta SCFAs), como butirato, acetato e propionato, que são produtos de fermentação derivados de polissacarídeos não digeridos por bactérias intestinais. Esses SCFAs, especialmente o butirato, podem ser capazes de aumentar a função da barreira epitelial e diminuir a permeabilidade, passando pela corrente sanguínea e interagindo diretamente com a pele, modificando suas bactérias comensais.

Além disso, o intestino apresenta uma capacidade pró e anti-inflamatória que pode ser relacionada, também, com o aumento do risco ou prevenção de doenças cutâneas que apresenta alto grau de inflamação, como por exemplo a acne vulgar.

Conclusão
As estratégias nutricionais na prática do profissional dentro da nutrição estética devem ser baseadas nos estudos que mostram a relação entre o eixo intestino-pele, em busca de promover recursos que ajudem a reduzir o risco de doenças da pele associadas à saúde intestinal.

Acesse o estudo na íntegra aqui