O excesso de peso vem se apresentando como um dos fatores de risco mais importante para o aumento da prevalência das doenças crônicas não transmissíveis. Estima-se que, atualmente, um bilhão de adultos esteja com sobrepeso no mundo e cerca de 475 milhões sejam obesos.

Dessa maneira, vem se buscando novos hábitos alimentares, incluindo a procura por alimentos que apresentem ação benéfica sobre a saúde. Nesse contexto, destaca-se o óleo de coco.

O coco (C. nucifera) pertence à família Arecaceae (Palmae) e à subfamília Cocoideae. O óleo de coco é um derivado da massa do coco, podendo ser obtido de duas maneiras: enquanto o óleo de coco refinado é retirado do coco seco; o óleo de coco virgem (OCV) é extraído do leite do coco por método aquoso. A composição do OCV se mostra com 70-80% de ácidos graxos de cadeia média (AGCM), sendo a maior parte de ácido láurico, que parece ter menos efeitos deletérios no perfil lipídico do que o ácido palmítico, presente em gorduras saturadas de origem animal. Além disso, os AGCM são rapidamente absorvidos e oxidados, gerando energia, não participam do ciclo de colesterol e não são estocados em depósitos de gorduras.

Frente a isso, estudos têm sido conduzidos com o objetivo de investigar a possível relação do consumo do óleo de coco e a redução de gordura corporal, bem como parâmetros antropométricos. Pesquisa conduzida em Goiás realizou intervenção na dieta de 32 pessoas hipercolesterolêmicas a partir da adição de 30ml de óleo de coco para consumo diário, durante 3 meses. Como resultado, de forma significativa, os indivíduos perderam peso, diminuíram índice de massa corporal (IMC), perímetro abdominal e relação abdômen-quadris. A explicação apresentada para os efeitos positivos está na facilidade com que o ácido láurico é oxidado e a dificuldade com que é incorporado ao tecido adiposo. Os triglicerídeos de cadeia média (TCM) levariam ao gasto energético, resultando em menor ganho de peso e diminuição dos depósitos de gordura.

No Rio de Janeiro, outro estudo avaliou 116 adultos durante 3 meses, com o uso diário de suplementação, sendo uma cápsula (13ml) de óleo de coco resultando em redução do peso corporal, circunferência de cintura (CC), IMC e circunferência de pescoço. Resultados semelhantes, também, foram encontrados em pesquisa realizada na Malásia, com 20 indivíduos com excesso de peso, em que os mesmos ingeriram diariamente, durante 4 semanas, 30ml de óleo de coco, apresentando uma redução significativa de CC após a intervenção.

Apesar da crescente busca para apresentar os benefícios do óleo de coco, os estudos ainda são escassos e as pesquisas existentes, em sua maioria, foram realizadas em um curto espaço de tempo. É importante salientar que a gordura saturada do óleo de coco, apesar de ter melhor composição que as outras fontes de gordura saturada, deve ter um consumo moderado. A recomendação da FAO/OMS é que a ingestão diária de ácido graxo saturado não ultrapasse 10% do valor energético total. Ainda é válida a recomendação de que uma dieta adequada deva priorizar alimentos fontes de ácidos graxos mono e poli-insaturado ao invés de gordura saturada, aumentar o consumo de ômega-3, fibras, frutas, legumes e verduras, além da prática de exercício físico regular.

Referências

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