Estima-se que transtornos mentais atinjam, aproximadamente, 350 milhões de pessoas no mundo todo, trazendo como consequência altas taxas de incapacidade. Alguns estudos demonstram que existe uma maior prevalência de depressão e ansiedade em diabéticos, em relação a sujeitos não diabéticos, sendo que ambas as condições psiquiátricas podem agravar as complicações do diabetes e contribuir para a piora do controle metabólico nesses pacientes.

De acordo com uma meta-análise publicada por Nouwen e colaboradores (2019), pacientes diabéticos com depressão têm 38% e 33% chances de aumento do risco de desenvolver complicações macrovasculares e microvasculares, respectivamente. Ainda, de acordo com esta meta-análise, o mecanismo dessas alterações permanece desconhecido, porém é sabido que a depressão pode ser acompanhada de mudanças comportamentais que incluem redução do autocuidado, adesão à medicação, aumento do tabagismo, redução da prática de atividade física e aumento do comportamento sedentário, bem como o aumento da ingestão de alimentos com alta densidade calórica. Logo, esses comportamentos podem afetar o controle glicêmico, aumentando o risco de desenvolver complicações associadas.

O Crocus sativus L., conhecido popularmente como açafrão é o tempero tradicional mais caro do mundo todo. Apresenta em sua composição diversos compostos bioativos, como flavonoides lipofílicos, carotenoides, crocetina, monoterpenos, crocina, picrocina e safranal que desempenham funções antioxidantes e anti-inflamatórias, causando efeitos positivos no tratamento da depressão e ansiedade.

Milajerdi e colaboradores (2018) desenvolveram um estudo duplo cego, randomizado e controlado por placebo com indivíduos diabéticos do tipo 2, com idade entre 40 e 65 anos. Os participantes foram divididos em dois grupos, onde o grupo tratado recebeu 30 mg/dia de extrato hidroalcóolico de Crocus sativus (15 mg/ duas vezes ao dia) e o grupo placebo recebeu cápsulas de amido com cor e essência de açafrão, por 8 semanas. De acordo com os resultados, a suplementação não promoveu modificações antropométricas, porém, aliviou sintomas de ansiedade e distúrbios do sono em pacientes com diabetes tipo 2, em relação ao grupo placebo. Ainda de acordo com a pesquisa, há diversas hipóteses sobre o mecanismo pelo qual o extrato de açafrão pode influenciar a depressão, dentre elas destaca-se a modulação do eixo serotoninérgico, do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, efeitos neuroprotetores e imunomodulardores. Segundo os autores, este é o primeiro estudo que avalia os efeitos da suplementação de C. sativus em pacientes com diabetes tipo 2, demonstrando efeitos positivos na ansiedade e no sono destes sujeitos, porém, ressaltam que mais estudos com intervenções envolvendo período mais longos devem ser realizadas.

O Fito Summit Brasil 2020 traz profissionais renomados para falar sobre as atualizações e evidências científicas sobre a prescrição de fitoterápicos no diabetes tipo 2 e em outras condições, como disbiose, infecções urinárias, gastrite, úlceras, câncer, menopausa, Alzheimer e Parkinson.

REFERÊNCIA

BARROS, M. B. A. et al. (2017) Depressão e comportamentos de saúde em adultos brasileiros – PNS 2013. Rev. Saúde Pública. 51 (suppl 1).

MILAJERDI et al. (2018) The effects of alcholic extract of saffron (Crocus sativus L.) on Mild to Moderate Comorbid Depression-Anxiety, Sleep Quality, and Life Satisfaction in Type 2 Diabetes Mellitus: A Double-Blind, Randomized and Placebo-Controlled Clinical Trial. Complement Ther Med. 41: 196-202.

NOUWEN, A. et al. (2019) Systematic review or meta-analysis longitudinal associations between depression and diabetes complications: a systematic review and meta-analysis. Diabet Med. 36(12): 1562-1572.