A ligação comida e paciente, em todas as suas esferas biopsicossociais, é a chave para compreender o conceito estabelecido frequentemente na prática do nutricionista: o comfort food. Alívio emocional e conforto momentâneo são duas definições que contemplam esse movimento, cada vez mais explorado em prol da saúde integrada e de resultados sustentáveis do paciente no aconselhamento nutricional.

Comfort food é visto como uma estratégia personalizada, baseando-se em comidas/bebidas definidas prioritariamente a partir de experiências pessoais. É aquela preparação, escolhida por pessoas, que tem algum tipo de significado, seja em relação à infância, a gostos individuais ou inclusive em períodos de estresse crônico.

Fixador psicológico no plano emocional
Os significados relacionados às refeições são, na maioria das vezes, resultados da interação do paciente ao longo da vida com outras pessoas em situações de consumo associadas, como a família. O alimento atua, nesse sentido, como um fixador psicológico no plano emocional. As escolhas dependem da intensidade dessa memória afetiva e de como as funções cognitivas respondem a esse estímulo, uma vez que se aumenta a vontade de comer aquele determinado alimento por meio de mudanças na fisiologia corporal. Exemplo disso é o aumento da saliva e pré-liberação de neurotransmissores associados à sensação de bem-estar (serotonina, dopamina).

Associando estratégias
O desafio do nutricionista, nesse contexto, é associar estratégias que permitam que os pacientes escolham esses alimentos de conforto em momentos adequados de sua rotina para não comprometer o planejamento dietético e os resultados esperados. Isso porque, na maioria das vezes, os comforts foods podem ser carregados de calorias e com baixo teor nutritivo, apesar de nutrirem as emoções de quem os consome. A nutrição integrada de verdade prioriza a busca pelo equilíbrio comportamental do indivíduo por meio de manejos que atendam às suas vontades e necessidades psicológicas. A associação de um alimento com um evento passado ou memória pode permanecer ao longo da vida do paciente. O nutricionista, ao mesmo tempo, tem a capacidade de ajudá-lo a mudar esse significado, para tanto, trazendo novas experiências.

REFERÊNCIAS

GIMENES-MINASE, M. Comfort food: sobre conceitos e principais características. Contextos da Alimentação – Revista de Comportamento, Cultura e Sociedade. v. 4, n. 2, mar., 2016.