Pacientes com o vírus da imunodeficiência adquirida (HIV) podem apresentar alterações no metabolismo lipídico e aumento do estresse oxidativo decorrentes da própria infecção. Junto a isso, a utilização da terapia antirretroviral pode provocar hipercolesterolemia, hipertrigliceridemia, aumento da concentração de LDL-c e ApoB, além de reduzir a concentração de HDL-c, configurando um efeito aterogênico.

O estudo crossover duplo-cego, controlado por placebo, envolveu 92 pacientes randomizados para receber 65g de chocolate com 36g de cacau ou chocolate branco e, posteriormente, 3g de chá-mate solúvel, contendo 107mg de polifenóis, sendo que 84,24mg correspondiam ao ácido clorogênico ou maltodextrina, diluídos em 200mL de água. Cada uma das suplementações teve duração de 15 dias, após um período de washout de, também, 15 dias.

O consumo de chá-mate não promoveu alterações no perfil lipídico desses pacientes, pois, segundo os autores, o período de suplementação pode ter sido um período muito curto, o que pode ser comprovado por outros autores. Em contrapartida, o consumo do chocolate rico em cacau promoveu um aumento na concentração de HDL-c, sem modificar a concentração de LDL-c, podendo ser uma estratégia no tratamento desses pacientes, dessa forma, minimizando os efeitos aterogênicos da medicação.

 

Referências

SOUZA, S.J. et al. Effect of chocolate and mate tea on the lipid profile of individuals with HIV/AIDS on antiretroviral therapy: a clinical trial. Nutrition, v. 43-44, p. 61-8, 2017.