A busca pelo padrão estético imposto pelas mídias vem crescendo drasticamente, aumentando a preocupação em relação à alimentação adequada e à prática de atividade física. Mas, muitas vezes, essa preocupação se torna exagerada, assim, propiciando o aparecimento de distúrbios nutricionais e psicológicos denominados transtornos alimentares (TA). Diversos tipos de TA são denominados na prática clínica, sendo a bulimia nervosa (BN) um deles. A bulimia nervosa é um quadro clínico em que a estrutura, o consumo e as atitudes alimentares tornam-se alterados. A estrutura alimentar é um termo que pode ser aplicado aos horários, ao tipo e à regularidade das refeições, já consumo alimentar consiste na ingestão energética e de macro e micronutrientes. Atitude alimentar parece ser a melhor expressão para abarcar as diversas formas de relacionamento entre o indivíduo e os alimentos.

A bulimia nervosa é caracterizada como um ciclo constituído por dieta, compulsão e purgação com padrão alimentar descrito, muitas vezes, como excessivo e sem qualidade nutricional. A restrição alimentar tem papel influenciador no início e na perpetuação do quadro.

Entre as complicações do transtorno, destacam-se as metabólicas, que envolvem hipercolesterolemia e hipoglicemia, distúrbios hidroleletrolíticos e endócrinos, envolvendo uma série de efeitos que potencializam o estresse oxidativo, uma vez que há um desequilíbrio funcional de todos os sistemas que mantêm a homeostase. Além dessas, outras alterações observadas são: atrofia do músculo cardíaco, amenorreia, lentidão do esvaziamento gástrico, alopecia, envelhecimento da pele, osteoporose, destruição do esmalte dos dentes (relacionada principalmente aos métodos purgatórios), características comumente observadas em pessoas idosas, ou seja, o transtorno promove uma aceleração de todas as mudanças que costumam ocorrer no processo de envelhecimento.

Portanto, há a exigência de uma abordagem compreensiva da equipe multiprofissional responsável pelo tratamento, integrando preocupações em níveis físico, psicossocial, familiar e educacional.

 

REFERÊNCIAS

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