LANÇAMENTO

TAKE NOTES

Os principais highlights de todas as palestras, reunidos em um material para você.

EPIGENÉTICA

Um olhar avançado para a epigenética e envelhecimento celular na saúde da mulher.

Será que estratégias nutricionais específicas podem melhorar o terreno biológico e reduzir o risco de câncer feminino? Como avaliar a saúde celular por meio de novas ferramentas na prática clínica?

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Câncer na Mulher: olhando para o terreno biológico na prevenção e tratamento

Panorama geral do câncer 

Houve um aumento do número de casos de câncer, especialmente em pessoas com menos de 50 anos. Em mulheres, o câncer de mama é o mais incidente, com 74 mil casos novos previstos por ano até 2025, segundo o INCA. 

Impacto multifatorial na qualidade de vida

O câncer afeta multifatorialmente a saúde física e o bem-estar mental, social e econômica.

Conhecimento é uma ferramenta poderosa para as mulheres com câncer → facilita a tomada de decisões, melhora a conversa com os profissionais da saúde, reduz a ansiedade, melhor gerenciamento dos sintomas e conexão com redes de apoio.

Qual é a prevenção do câncer da mulher? 

Dentre os fatores de risco, a obesidade é o maior e o principal fator de risco modificável para a incidência e prognóstico do câncer de mama.

A relação tem início no intestino, via diversos mecanismos conhecidos como “TIMER”: translocação bacteriana, alteração do sistema imunológico (com aumento da inflamação e do estresse oxidativo), alteração do metabolismo, degradação enzimática e redução da diversidade de bactérias, aumentando bactérias com perfil patogênico.

Estroboloma tem um papel crucial no desencadeamento do câncer de mama: Aumento do perfil de bactérias com atividade β-glucuronidase que reativam o estrogênio (estroboloma) → aumenta a reabsorção de estrogênio, expondo essa mulher a níveis mais altos de estrogênio e por mais tempo.

Ainda, a há alteração do metabolismo de ácidos biliares, produzindo ácido biliares secundários com potencial carcinogênico.

O terreno biológico dessa mulher é um fator de impacto muito importante na prevenção e no tratamento.

Obesidade x câncer: hipótese dos 3 mecanismos 

Eixo-inflamatório → aumento de citocinas pró-inflamatórias que se relacionam com o desenvolvimento de câncer, além de aumentar a leptina, que, apresenta efeito mitogênico, estimulando a proliferação celular, inclusive, de células mutadas.

Eixo-insulina-IGF → aumento da obesidade, leva ao aumento da insulina e do IGF, que têm efeito mitógeno.

Eixo estrogênio-progesterona → intestino rico em estroboloma → aumento da exposição ao estrogênio

Além disso, a obesidade é fator de risco para síndrome metabólica (SM) → todos os componentes da SM se relacionam com o aparecimento do câncer de mama, porque há aumento da geração de inúmeros mediadores relacionados.

Diagnóstico do câncer de mama x Obesidade: 

Mulheres com obesidade e síndrome metabólica → Ambiente tumoral mais vascularizado → Aumenta risco para metástase e há um impacto da resposta antitumoral, também se relacionando com cânceres mais agressivos.

O aumento de 5kg/m² no IMC → aumento no risco de morte pelo câncer.

Tratamento do câncer de mama: 

A quimioterapia interage com o ambiente intestinal, pelo mecanismo TIMER também. A quimioterapia é fundamental, porém ela também gera essa série de gatilhos à nível de intestino. E por isso, mulheres com câncer, após o tratamento quimioterápico, mesmo sem diagnóstico de obesidade, têm um risco aumentado para gerar síndrome metabólica.

As alterações no metabolismo e degradação enzimática no intestino causadas pela quimioterapia pode reativar fármacos (que chegam via ácidos biliares) e estrogênio, aumentando os efeitos colaterais do tratamento, devido à essa exposição prolongada do medicamento, além de aumentar também à exposição ao estrogênio.

Ainda a quimioterapia vai reduzir a absorção de nutrientes e levar a perda da diversidade que reduz a produção de butirato.

A quimioterapia gera disfunção mitocondrial → redução da produção de energia e retroalimentação do câncer, devido ao aumento da ativação imunológica inflamatória, propiciando um ambiente carcinogênico.

Ainda há geração de uma senescência celular causada pelos tratamentos antitumorais → e a senescência celular desencadeia uma senescência sistêmica que potencializa os efeitos colaterais da quimioterapia, o que pode também facilitar a recidiva da doença.

Tratamento além da quimioterapia: 70% dos cânceres das mulheres são responsivos ao estrogênio, tendo uma relação muito grande com esse hormônio. Assim, além da quimioterapia, ainda há a terapia hormonal associada, com o bloqueio hormonal, que potencializa as alterações metabólicas da obesidade e da quimioterapia sobre a menopausa

Menopausa: efeito colateral mais frequente 

E o sobrepeso, obesidade e a SM potencializam os sintomas da menopausa, o que é ainda mais exacerbado com a quimioterapia e ainda mais se tiver passado pela terapia hormonal no tratamento. E as alterações metabólicas relacionadas com a menopausa também são afetadas e exacerbadas com o tratamento quimioterápico e hormonioterapias.

Abordagens terapêuticas 

Se a mulher arrastar esse terreno biológico, mesmo após o tratamento completo e cura do câncer, há aumento do risco da recidiva. Ter um estilo de vida saudável reduziu a chance recidiva em 37% e 50% as taxas mortalidade em um estudo realizado com 1340 mulheres. 

– Controlar peso e manter padrão alimentar saudável: dieta mediterrânea tem um efeito importante no ambiente intestinal e na melhora da função imunológica. Garantir 25g de fibras: quanto maior a variedade das fontes dessas fibras, melhor.

– Fibras solúveis = 6 a 10g/dia → Goma guar = 1 a 2g antes das refeições / β-glucanas = 3 a 4g/dia (40 a 50g de farelo de aveia) / Psyllium = 5 a 10g/dia.

– Fibras insolúveis → Suplementação com módulo de fibras

– Beta-glucana: 250mg/dia – melhora a permeabilidade intestinal e a atividade imunológica antitumoral.

– Compostos bioativo: ajudam no controle da resposta imunológica. Inclusive, os fitoestrógenos presentes nesses alimentos têm um papel importante (lignanas, genisteína), porque eles ocupam o sítio de ligação dessas β-glucuronidases e assim evitam a reativação do estrogênio e dos fármacos.

– Ômega-3: 1 a 2g/dia, reduz potencial inflamatório das bactérias patogênicas.

Importante corrigir deficiências nutricionais.

Sugestões de formulações:

Melhora da função hepática
EPA – 595mg
DHA – 260mg
Silimarina – 200mg
Astaxantina – 4mg
Mix de tocoferóis – 800 UI

Redução da permeabilidade intestinal
Vitamina D – 4000 UI/d

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GRAZIELA RAVACCI

NUTRICIONISTA

TEMA
Câncer na Mulher: olhando para o terreno biológico na prevenção e tratamento

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Epigenética e Estética celular: avaliação do envelhecimento na saúde da mulher

Estética celular → resposta aos tratamentos estéticos, quando temos um terreno biológico saudável e quando temos uma estrutura e saúde de DNA melhores. 

Envelhecimento celular na saúde da mulher 

Como medimos o envelhecimento celular na saúde da mulher → telômeros e análise de metilação 

Telômeros x envelhecimento celular 

Telômeros → as pontinhas dos cromossomos, pares de bases ATGC que não são codificantes e que têm a função de compactar o cromossomo e guardar o material biológico.

Eles devem estar íntegros e compactados para que a célula exerça a sua função. São eles que controlam o envelhecimento das células. Com o envelhecimento cronológico, há uma redução da telomerase, que faz com que haja o encurtamento desses telômeros.

O que encurtam os telômeros: é um processo fisiológico natural, porém, fatores ambientais, genéticos e epigenéticos podem gerar um encurtamento precoce.

Nascemos com cerca de 10 mil pares de bases. Aos 35 anos, essas bases reduzem para cerca de 7500 e, aos 65 anos, para 4800 pares de bases.

A questão está que cada vez mais temos, com uma menor idade, uma redução dos pares de base, o que afeta o nosso envelhecimento celular.

Por isso, os telômeros são nosso relógio biológico e molecular e são responsivos a um bom estilo de vida, ao sono, boa alimentação, meditação, exercício físico, levando a um encurtamento tardio. Já o contrário, leva a um encurtamento precoce.

Os telômeros mostram a nossa idade celular! E é essa idade que dita como está sendo o nosso envelhecimento, nossa saúde e a nossa beleza. 

Telomerase → enzima responsável por restaurar o DNA perdido durante as divisões celulares. Ela produz e repõe os telômeros!

Gene Tert → expressa enzima telomerase. O gene Tert pode expressar mais essa enzima conforme as nossas escolhas relacionadas ao estilo de vida.

Divisão celular excessiva → encurtamento do telômero → senescência celular → senescência dos tecidos → envelhecimento

Senescência x envelhecimento → a senescência contribui para geração de uma inflamação crônica, devido ao declínio também da função imunológica, o que aumenta o risco para as doenças cardiometabólicas e afeta diretamente na beleza.

Estresse aumenta a geração de espécies reativas de oxigênio, que afetam diretamente no encurtamento precoce desse telômeros.

Uma célula senescente emite sinais para as células que estão por perto, o que gera inflamações.

Estilo de vida não saudável → célula senescente → diminuição de telômeros → doenças.

Inflamação + estresse oxidativo + resistência à insulina → diretamente associados com encurtamento dos telômeros.

Como alongar os telômeros?
– Meditação;
– Mindfulness / Atenção plena ao que se está fazendo;
– Sono de qualidade e de pelo menos 7 horas/noite;
– Cuidado com a alimentação: fibras, vegetais, legumes, frutas secas, frutas, ômega-3, antioxidantes alimentares, chá verde, café (3 xícaras), folato, vitaminas C e E;
– Astragalus – 250mg/dia por 6 meses → alonga significativamente os telômeros, por aumentar atividade da enzima telomerase.

Mulheres têm mais risco de Alzheimer, principalmente na pós menopausa. Isso ainda se agrava quando a mulher apresenta o alelo ApoE4, que aumenta em 15% o risco para Alzheimer.

O diabetes reduz telômeros.

Idade cronológica x idade biológica → célula pode estar muito mais envelhecida

Mecanismos epigenéticos → aumento da longevidade via sirtuínas, que são as enzimas da longevidade e da saúde celular, por atuarem no reparo do DNA

Como aumentar a atividade das sirtuínas?

  • Resveratrol: uva, cacau, mirtilo, romã; 
  • Curcumina: açafrão da terra; 
  • Quercetina: cebola, rúcula; 
  • Epigalocatequina-3-galato: chá verde, matchá; 
  • Fisetina: morango. 

Análise de metilação: 

Mecanismos epigenéticos inibem ou ativam a transcrição ou a tradução: metilação do DNA, modificação das histonas e micro RNAs (atuam na tradução somente, mecanismos pós-transcricionais) 

Ilhas CPG → regiões do DNA que tem uma maior concentração de citosina que precede guanina → que é onde consegue se ligar o grupo metil. Apenas lá se liga por uma questão de espaço. A metilação é essencial para que o corpo funcione adequadamente. 

É fundamental ter uma boa digestão e absorção para garantir a metilação, uma vez que são necessárias vitaminas do complexo B. 

Grupo metil entra efetivamente na célula e a célula distribui para onde ela acha que precisa, para defender e proteger. 

O processo de metilação é reversível → por isso não existe estratégia de uma semana ou de um mês, as células respondem diariamente ao processo de metilação. É por toda a vida. Se parar a conduta benéfica, o grupo metil se desliga. 

Durante o processo de envelhecimento acontece uma série de alterações metabólicas e funcionais, os níveis de metilação do DNA se alteram, favorecendo uma hipometilação global e uma hipermetilação gene-específica. 

Além disso, ocorrem mudanças em algumas Ilhas CpG. 

Avaliar a velocidade de envelhecimento a nível celular é fundamental para prevenção de doenças e para a beleza. 

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ANNETE MARUM

NUTRICIONISTA

TEMA

Epigenética e Estética celular: avaliação do envelhecimento na saúde da mulher 

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