LANÇAMENTO

TAKE NOTES

Os principais highlights de todas as palestras, reunidos em um material para você.

FERTILIDADE

A infertilidade feminina é uma realidade cada vez mais presente nos consultórios, já que 1 a cada 6 mulheres no mundo tem dificuldades de engravidar.

O acompanhamento integrativo se torna prioridade para mulheres em processo de envelhecimento ovariano ou em casos de reprodução assistida como a FIV.

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Pré FIV e Nutrição: da estimulação ovariana à transferência embrionária

Tornando o sonho de muitas pessoas realidade!

Estima-se que cerca de 15% da população mundial tenha o diagnóstico de infertilidade, o que indica que 1 a cada 6 casais é considerado infértil no mundo (OMS). No Brasil, é estimado que esse quadro afete 8 milhões de pessoas.

Uma oportunidade para o nutricionista fazer a diferença

Segundo a ANVISA, 45 mil ciclos de fertilização in vitro (FIV) foram realizados no Brasil. Entre 2020 e 2022, mais de 250 mil foram embriões congelados, segundo Sistema Nacional de Produção de Embriões, além de ter ocorrido um aumento substancial de congelamento de óvulos → E a nutrição tem um papel crucial em todas as etapas da FIV!

Uma oportunidade para o nutricionista fazer a diferença

1. Preparação Pré-FIV:
– Identificar a causa/o motivo para a realização da FIV; avaliação da saúde geral e adequação do peso.
– Realizar anamnese detalhada e avaliação dos exames: importante investigar e identificar se é SOP, envelhecimento ovariano, doença celíaca, motilidade espermática e/ou morfologia do espermatozoide alterada(s), disbiose vaginal e/ou intestinal, processo inflamatório aumentado, deficiência nutricional que impacta na produção hormonal ou que afeta a saúde dos óvulos e/ou dos espermatozoides, níveis de IMC extremos (seja de obesidade ou de magreza extrema), sinais físicos de deficiências nutricionais (exemplo: mancha marrom (caucasianos) ou azulada (negros) – deficiência de B12, manchas brancas – deficiência de zinco).

2. Preparação para coleta de óvulos e/ou melhora dos espermatozoides:
– Tratamento nutricional adequado e individualizado para o casal repondo nutrientes importantes para a para preparação dos gametas para a coleta. Aqui é fundamental a individualização das estratégias nutricionais, de acordo com as deficiências nutricionais encontradas, pois uma única deficiência pode determinar a não maturação do oócito e até a não implantação.
– Muitas vezes a infertilidade pode ter relação com o estilo de vida da avó e da mãe da paciente, uma vez que impacta diretamente na qualidade e na quantidade dos gametas femininos dessa mulher.
– Para ter um óvulo de qualidade, é fundamental adequação nutricional na fase final de maturação do oócito, que são os últimos 90 dias. É importante lembrar, porém, que o desenvolvimento do folículo que envolve o oócito leva 366 dias. Por isso que, na verdade, o ideal seria se preparar 1 ano antes da gestação, mas, no mínimo, para mulheres, o ideal é 3 meses antes, pensando no sucesso da fase final de maturação do oócito. Já os homens produzem constantemente os espermatozoides, com renovação a cada 74 dias da espermatogênese.

3. Transferências dos embriões:
– Essa fase envolve a preparação nutricional para a transferência embrionária. Assim, é necessária dieta adequada e reposição de nutrientes pertinentes para o desenvolvimento do endométrio.
– Importante avaliar os exames de sangue e outros realizados durante essa fase, para corrigir as deficiências nutricionais que ainda estão presentes.
– Nutrientes chave para a melhora do espessamento do endométrio: a arginina, L-carnitina e ômega-3.
– A vitamina D aumenta a taxa de sucesso da FIV e da nidação do embrião.
– Alguns ativos e alimentos precisam ser retirados porque reduzem o sucesso da transferência, como resveratrol (cuidado com excesso de suco de uva integral), epigalocatequina-3-galato (retirar também chá preto, chá verde e chá oolong que são ricos neste ativo) e cúrcuma.

4. Cuidados pós-transferência embrionária:
– Aqui as estratégias nutricionais são voltadas para o pós-transferência embrionária e visando a obtenção do positivo e manutenção da gestação. Importante avaliar hormônios tireoidianos e incluir estratégias que evitem os descolamentos.
– Deficiência de ômega-3 e vitamina D impactam na produção de progesterona, o que pode interferir negativamente na manutenção da gestação.
– Suplementação de ácido alfa-lipóico está associada com a redução do descolamento ovular e da placenta.

A dieta materna influência na saúde mitocondrial dos oócitos e isso afeta diretamente na reprodução.

Oócitos são muito dependentes de mitocôndrias e tudo o que afeta essas organelas impacta diretamente na saúde reprodutiva: – Dietas acima de 50% de gorduras, menor do que 1,2g/kg de proteínas e excesso de açúcar simples → impactam diretamente na função, estrutura, distribuição e desbalanço redox das mitocôndrias → aumento de aneuploidias, falha da implantação, alteração de desenvolvimento do embrião, aumento de risco de abortos e aborto tardio → Por isso, é fundamental pensar no teor de macronutrientes da dieta!

Pesticidas ambientais e metais pesados também influenciam no sucesso da fertilização!

Substituir 1 porção de frutas e vegetais com altor teor de pesticidas por 1 porção de baixo teor de pesticidas, associou-se com aumento de 79% nas chances de gravidez e 88% nas chances de nascidos vivos → Promover aumento de hortaliças e frutas orgânicos.

Presença de mercúrio no fluido folicular → menor chance de gestação e nascido vivo

Chumbo no fluido folicular → menor probabilidade de nascimento vivo

Padrão alimentar do mediterrâneo pode auxiliar no sucesso da FIV.

N-Acetilcisteína

Precursora de glutationa, aumentando suporte antioxidante. Estudo realizado por Cheraghi et al. (2016) demonstrou que a suplementação de 1800mg de N-acetilcisteína em mulheres com SOP que seriam submetidas à injeção intracitoplasmática de espermatozoides, reduziu o número de oócitos imaturos e com morfologia anormal e melhorou o número de embriões de boa qualidade.

Atenção!
Vitamina B2 e selênio também impactam na formação de glutationa.

Coenzimas mitocondriais – Ácido alfa-lipóico (ALA), coenzima Q10 e L-carnitina:

Estudo de Canosa et al. (2020), publicado no Journal of Clinical Medicine, demonstrou que a suplementação combinada de 800mg de ALA + 2g de mioinositol + 400mcg metilfoltato em mulheres com excesso de peso, 90 dias antes de passarem pela estimulação ovariana, aumentou significativamente a espessura do endométrio e a qualidade dos embriões, além de favorecer o aumento da taxa de implantação e de gestação, quando comparado apenas à suplementação isolada de 400mcg de metilfolato.

Coenzima Q10: demonstra efeito positivo na taxa de gestação clínica em mulheres com infertilidade, inclusive naquelas com baixa resposta ovariana.

L-carnitina: A suplementação de 1g/dia demonstrou aumento da taxa de embriões transferidos e da boa qualidade morfológica dos embriões e dos blastocistos. Teve efeito positivo a curto prazo (em apenas 30 dias).

Dose recomendada de suplementação de:

NAC → 600 a 1800mg;
ALA → 150 a 800mg;
Mioinositol → 600mg a 4g;
L-carnitina → 1 a 4g.

Vitaminas e minerais:

Metilfolato → O nível sérico de folato tem que estar acima de 20ng/mL, pois acima deste valor está relacionado com o aumento da taxa de implantação e gestação de sucesso.

Atenção às dosagens de metilfolato para pacientes com polimorfismos de MTHFR: estudos demonstram que a dose de 800mcg/dia de metilfolato é capaz de ultrapassar a barreira de metabolização nesses casos de polimorfismos e ser efetiva no tratamento da fertilidade.

Dose recomendada de suplementação de metilfolato → 400 a 800mcg

Vitamina B12 sérica acima de 700ng/mL → maior probabilidade de sucesso na implantação e gravidez significativamente maior que as com níveis sérico menores.

Dose recomendada de suplementação de metilcobalamina → 50 a 1000mcg

Zinco → deficiência deste mineral impacta na maturação do oócito. Dose recomendada de suplementação de zinco (quelado) → 5 a 35mg

Vitamina D → atua em diferentes fatores relacionados com a fertilização e com a gestação e por isso os níveis precisam estar adequados. Ainda, a suplementação da vitamina D pode ser feita associada com vitamina E, o que pode levar ao aumento das taxas de implantação e de gestação.

Dose recomendada de suplementação de vitamina D3 → 1800 a 4000UI
Dose recomendada de suplementação de vitamina E → 200 a 400mg

Cálcio → a deficiência deste nutriente pode impactar na fertilização.

Dose recomendada de suplementação de cálcio (quelado/citrato) → 250 a 1000mg

Ômega-3

A suplementação de 1g de óleo de peixe (180mg EPA e 120mg de DHA) proporciona melhora da espessura endometrial e outros parâmetros associados à fertilidade. Melhorou número de oócitos e de oócitos fertilizados, assim como a morfologia dos oócitos.

Dose recomendada de suplementação de ômega-3 → 1 a 2g (EPA + DHA)

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BETTINA
MORITZ
Nutricionista
TEMA
Pré FIV e Nutrição: da estimulação ovariana à transferência embrionária

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Infertilidade: modulação integrativa no envelhecimento ovariano biológico

Conceito de fertilidade integrativa

Engloba florais, Medicina Tradicional Chinesa (MTC), nutrientes, cuidado do intestino, detox de metais, detox de parasitas e cuidado do estômago (o que está sendo utilizado de estratégia para melhorar a digestão do paciente? Pensar que vem antes do intestino e que se há alterações, é importante melhorar).

Importante sempre alinhar expectativas com os pacientes: o quanto você está disposto a fazer o que precisa a ser feito?

Mulher com útero frio na MTC

Na MTC, a mulher considerada com útero frio é aquela com muita cólica, extremidades geladas (como pés frios), presença de coágulos na menstruação e pode ter impacto na fertilidade, Precisa incluir estratégias para “gerar calor” como bolsa de água quente, aquecer os pés como fazendo o escalda-pés, passar óleo essencial de gerânio e de gengibre na região pélvica.

Alguns sintomas associados com a deficiência de progesterona: escape menstrual extremidades frias

Os dados da infertilidade são alarmantes!

A estimativa da OMS é que em 2050 o número de gestações seja de 0,7 por casal. A expectativa é que uma gestação espontânea, será algo raro daqui menos de 30 anos e que, se continuarmos nessa projeção, a concepção só será possível com auxílio da reprodução assistida.

Mas será mesmo que é infertilidade? Ou é inflamação? Deficiências nutricionais?

Por que acontece o envelhecimento ovariano?

• Genética (pelo encurtamento dos telômeros);

• Disfunção mitocondrial;

• Estilo de vida: estresse físico e emocional, toxinas ambientais, disruptores endócrinos, sedentarismo, obesidade, má qualidade do sono, alimentação inflamatória, tabagismo, ingestão de drogas e bebidas alcoólicas, entre outros.

Exames relacionados com o envelhecimento ovariano

AMH – deve estar entre 1 e 4,5ng/mL. Valores muito altos podem ser indicativos de SOP, como de 6 a 7ng/mL. Valores abaixo de 1 ng/mL são indicativos de baixa reserva ovariana.

Dosagem de LH e FSH até o terceiro dia do ciclo. Se valor muito alto de FSH, pode ser indicativo de insuficiência ovariana.

Contagem de folículos antrais – deve ser realizado durante a menstruação para um resultado mais efetivo.

Quanto mais alteração hormonal temos, mais rápido acontece o envelhecimento ovariano.

O expossoma é um grande fator de impacto no envelhecimento ovariano!

Expossoma externo + expossoma interno → respostas biológicas associadas

Dentro do expossoma externo, é importante se atentar para algumas exposições que a sua paciente está sofrendo:

Exames relacionados com o envelhecimento ovariano

Poluição eletrogmanética: celular próximo a cama, durante toda a noite, é um dos que mais influenciam. Esse tipo de poluição pode gerar alteração do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal.

Uso de isotretinoína e anticoncepcional: impacto negativo na reserva ovariana.

Qualidade da água → excesso de metais pesados e de flúor impactam no envelhecimento ovariano → Pode ser utilizada vela de carvão ativado (reduz metais) ou de prata coloidal (reduz parasitas).

Disruptores endócrinos → altas concentrações de metais pesados impactam no desenvolvimento oocitário normal e gera desequilíbrio da progesterona e do estradiol, ainda, afetam diretamente a gestação. Atenção para:

Cádmio: está presente em alimentos ultraprocessados e cigarro, e a deficiência de nutrientes como vitamina B6, C e D e minerais como zinco e cálcio afeta a excreção deste mineral.

Alumínio: gera depleção de vitaminas e minerais. Está presente em cosméticos, papel e embalagens de alumínio, panelas, embalagens TetraPak®, alguns remédios, formas.

Mercúrio: em excesso pode ser gatilho para Hashimoto, hiperandrogenismo e SOP.

Benzeno: muito presente no detergente → preferir lavar louça com sabão de coco ou opções de detergente mais naturais.

Detoxificação de metais

Os processos de detoxificação servem como um preparo do terreno biológico, uma etapa inicial rumo ao equilíbrio do corpo.

Primeiro limpar o ambiente, reduzir a exposição → depois utilizar a suplementação, pois muitas vezes o fígado na está pronto para receber essas toxinas.

A detoxificação se faz necessária para auxiliar os receptores hormonais e otimizar a regulação dos hormônios femininos.

Quando mais intoxicada essa mulher, mais sintomas de TPM. Na MTC, quanto mais estressada, intolerante, raivosa a mulher, maior o impacto no fígado.

Importante ter pelo menos 2 ativos para detoxificação!

Cuidado com o excesso de cápsulas da suplementação → disbiose de estômago (Termo citado por Dr. Jean Marc)

Avaliar o uso de florais quânticos e homeopatia.

Algumas estratégias nutricionais para promover a detoxificação de metais pesados:

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Atenção!

Não se esqueça que fitoterápicos só podem ser prescritos por nutricionistas com título de especialização em fitoterapia ou pós-graduação em fitoterapia! Os chás podem ser prescritos mesmo por quem não tenha título ou pós-graduação.

FÍGADO EXERCE GRANDE INFLUÊNCIA NA FERTILIDADE!

Uma estratégia a ser incluída para mulheres que sofre de “maus do fígado” como irritabilidade, impaciência, intolerância, raiva é a prescrição de chá de crisântemo.

Inclusive, ele é indicado para mulheres com adenomiose, endometriose e mioma, como uma forma de limpeza do útero e melhora saúde ovariana.

Prescrever 1 colher de sopa da erva em 1 xícara de chá (fazer infusão). Indicar o consumo antes de deitar-se.

O cardo-mariano/silimarina é uma outra estratégia a ser utilizada na regulação do estrogênio, por ser capaz de inibir a aromatase. Utilizar 200mg, 2x/dia. Pode ser indicado também o chá.

Todos os nossos hormônios dependem de temperatura para agir.

Indicar o escalda-pés pode ser uma estratégia benéfica, inclusive com ervas associadas à detoxificação do fígado: boldo, carqueja, jurubeba, sucupira, guaçatonga, dente-de-leão, chapéu-de-couro.

Ativos que podem auxiliar na saúde ovariana:

Resveratrol: atua no envelhecimento ovariano, na melhora da qualidade do fluido folicular e modulador da SOP.

Melatonina: melhora qualidade do folículo e o recrutamento ovariano. Dose recomendada: 0,21mg.

Vitamina D: pode ser sublingual ou líquida para evitar uso de cápsula. Dose recomendada: 4000UI.

Relação reserva ovariana e intolerância à histamina:

A baixa reserva ovariana pode estar relacionada com intolerância à histamina. Atentar-se para mulheres com sintomas como calcanhar rachado, rinite, sinusite, bronquite.

A histamina pode afetar o funcionamento do ovário, por afetar o fluxo sanguíneo para o ovário, além de estimular a contratilidade ovariana, desregular a ovulação e a secreção de progesterona.

Avaliar intolerância à histamina nesta mulher e adequar a alimentação.

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FERNANDA PADOVANI

Nutricionista
TEMA

INFERTILIDADE: modulação integrativa no envelhecimento ovariano biológico

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