LANÇAMENTO

TAKE NOTES

Os principais highlights de todas as palestras, reunidos em um material para você.

Intestino

Você sabia que a urticária espontânea crônica é uma doença autoimune de pele que pode desencadear alterações intestinais e até mesmo quadro de candidíase?

blank

Caso Clínico em Urticária Crônica, Candidíase e Intestino: tratamento integrativo

Caso clínico:

Mulher, 67 anos, alto percentual de gordura corporal (43,4%), diagnóstico de Urticária crônica espontânea e com candidíase de repetição. Menopausa (entrou por volta dos 50 anos). Tinha acabado de realizar um ciclo longo de corticoide, em uso de vitamina D, Puran T4 e Alektos (antialérgico). Escala de Bristol indicava padrão diarreico. Também tinha muitos gases. Alimentação monótona, com consumo frequente de ovo, oleaginosas, leite de soja e aveia. 

O que é a Urticária crônica espontânea (UCE)? 

Aparecimento espontâneo recorrente de pápulas que duram várias horas, acompanhada de coceira intensa, pode aparecer e sumir ou pode ser diária, por muitos anos. Muitos dos pacientes desenvolvem angioedema. 

Fisiopatologia da UCE

A UCE tem relação com estímulo de mastócito (que pode ser por diversos tipos) na pele e liberação de histamina. 

Leaky gut x Doenças autoimunes

Atenção, importante avaliar minuciosamente a função gastrointestinal → analisar digestão, se sente azia, refluxo e/ou dor de estômago, funcionamento intestinal, presença de gases, distensão e/ou dores abdominais, análise da escala de Bristol.

Linfócitos Th17 são estimulados por alimentos ultraprocessados → aumenta permeabilidade intestinal. 

“Nutri, eu sinto muita vontade de consumir doce…” 

Aumento da vontade por doce → pode estar relacionado com aumento do cortisol e/ou aumento da proliferação de fungos no intestino. 

Candidíase de repetição 

Esse quadro se relaciona com alteração da composição da microbiota, alteração do ambiente (se tiver muita presença de mofo ou outros tipos de fungos) e/ou alteração do sistema imunológico.

Além disso, o uso crônico de corticoides associado à presença de disbiose intestinal e vaginal pode aumentar a chance de acontecer o quadro. 

Candidíase de repetição x leaky gut

A Candida interage com receptores inatos e linfócitos Th17 → se o contato acontece em um ambiente que já está alterado, a barreira intestinal é prejudicada.

Supercrescimento fúngico no intestino delgado (SIFO) 

Sintomas: dor abdominal, gases, distensão, diarreia ou constipação em alguns pacientes. Hoje se sabe que ela acontece mesmo em indivíduos imunocompetentes, porém com alterações da microbiota.

Será que existe relação entre a infecção fúngica e a ativação de mastócitos? 

A Candida tem relação com indução de mastócitos via TLR ou Dectina-1 → aumento da liberação de mediadores inflamatórios mastocitários.

A Candida é capaz de aumentar a degranulação de mastócitos e a produção das espécies reativas de oxigênio.

Não se sabe se o fungo também promove liberação de histamina, mas, só o fato de ter aumento da liberação de citocinas de mastócitos, pode se relacionar com o aumento do quadro da UCE relatada pela paciente. Essa passa a ser mais uma via de estímulo de mastócito.

Estratégias nutricionais para manejo do quadro 

Atenção para o consumo de ovo por pacientes que tenham dermatite e rinite, pois pode exacerbar os quadros. Uma dieta pode ser muito saudável, porém, se ela não é variada, não irá modular a microbiota intestinal. 

Para auxiliar no tratamento da UCE → excluir álcool, frutos o mar, aditivos (corantes, adoçantes artificiais), carne de vaca e de porco, glúten, pseudoalérgenos (conservantes, compostos vasoativos, tomate, vinho), exclusão de alimentos fermentáveis (histamina) e de alguns vegetais e frutas ricos em histamina. Atenção, para aprofundar mais sobre padrão alimentar e UCE, você pode ler o artigo Diet and Chronic Urticaria: Dietary Modification as a Treatment Strategy, de Jaros J, Shi V.Y., Katta, R. (2019), clicando aqui.

Para auxiliar no tratamento da SIFO → o foco é aumentar a diversidade e promover o equilíbrio microbiano. Assim, o ideal é promover aumento de fibras e prebióticos, melhora dos micronutrientes em especial, vitamina D e E, biotina (ela ajuda a reduzir a patogenicidade da Candida) e selênio, prescrever leveduras como probiótico pode reduzir o crescimento fúngico (S. boulardii), prescrever ômega-3 (estimula produção de ácidos graxos de cadeia curta). E retirada de ultraprocessados, lactose, açúcares, farináceos, alimentos com carga glicêmica alta e alimentos com muita gordura saturada. Ter atenção com o consumo de frutas com mais rafinose.

Para auxiliar no manejo da leaky gut → reduzir gordura saturada, álcool, pesticidas glúten de adição, aditivos alimentares, excesso de glicose e sal, alimentos ultraprocessados, estresse e aumentar consumo de fibras.

Peptídeos de colágeno → favorece aporte proteico na dieta e auxilia a reduzir a permeabilidade intestinal. Isso porque apresenta alto teor de glicina, que atua na regeneração da barreira epitelial. Além disso, apresenta uma boa digestibilidade. Inclusive, os peptídeos de colágeno apresentam esse efeito de redução da leaky gut mesmo na presença de inflamação. Correlaciona-se com redução do estufamento e dor abdominal.

Gengibre → reduz dispepsia, flatulência, náusea e dor abdominal. Pode ser utilizado na forma de chá, shot ou tintura.

• Chá de Gengibre: 1 col de chá rasa de gengibre ralado (de preferência orgânico) em 250 a 300mL de água fervida. Fazer infusão de 7 a 10 minutos em recipiente tampado, esperar esfriar e beber. Modo de usar: Tomar 1 a 2 xícaras ao dia, antes ou entre as refeições.

• Shot de Gengibre: 70mL de água + 1 col de sobremesa rasa de vinagre de maçã + 1 col de chá rasa de gengibre em pó. Modo de usar: Tomar o shot em jejum, 20 minutos antes do café da manhã. Não usar junto com medicamentos ingeridos em jejum.

• Tintura de Gengibre:
Zinziber officinalis——————–100%

Modo de usar: Tomar 30 gotas de 2 a 3x ao dia, antes ou após as refeições. O controle de histamina é necessário para auxiliar no manejo da UCE

Muçarela de búfala → caseína diferente do leite de vaca

Atenção: DAO sérica não é parâmetro para avaliar urticária e nem para intolerância a histamina. A DAO intestinal é mais fidedigna.

Suplementação

Quercetina lipofílica (200mg) + L-glutationa reduzida (50mg) + Vitamina E (D- alfa-tocoferol – 150UI)) → estabilizadores mastocitários, auxilia na redução de histamina por atuar na redução da degranulação desses mastócitos.

Quercetina apenas na forma de alimento não será o suficiente e não estará na forma de melhor biodisponibilidade.

Cranberry (250 a 500mg, ideal fracionar a dose) + orégano (extrato seco padronizado, 100mg) → controle da candidíase.

Alguns exames de IgE que podem ser solicitados para avaliar alergia

IgE total, IgE glúten, IgE ácaro, IgE ovo, IgE caseína, IgE alfalactoalbumina, IgE para soja, coco, milho, oleaginosas.

blank

SYLVIA CAMPOS

NUTRICIONISTA

TEMA
Caso Clínico em
Urticária Crônica, Candidíase e Intestino: tratamento integrativo

Veja mais sobre a palestra

Quer saber mais sobre o assunto?
Separamos alguns conteúdos para
enriquecer ainda mais seus estudos.