Atualmente, o termo sarcopenia não é restritamente utilizado para se referir à redução de massa livre de gordura, mas, também, à perda de força e função muscular. Observa-se esse fenômeno em homens e mulheres, sendo associado à perda progressiva de autonomia, à redução da densidade mineral óssea e ao declínio da capacidade funcional. Em contrapartida, a obesidade possui característica de aumento de adiposidade corporal, resultando em alterações metabólicas em todos os sistemas. Ressalta-se que o tecido adiposo se apresenta metabolicamente ativo, com atividades endócrinas e parácrinas na secreção de hormônios e citocinas, como a leptina, a adiponectina, a interleucina 6 (IL-6) e o fator de necrose tumoral α (TNF α).  A instalação de quadro pró-inflamatório, caracterizado pela presença de concentrações elevadas de citocinas e da proteína C-reativa, está intimamente associada à hipertrofia do tecido adiposo. Entre as principais consequências desse estresse inflamatório se encontra a alteração da homeostase tissular.

Independente do distúrbio inicial, observa-se que a obesidade e a sarcopenia podem atuar mutuamente promovendo alterações metabólicas e funcionais sobre o envelhecimento. Denominada obesidade sarcopênica, seu impacto vem especificando uma condição de extrema sinergia em relação aos desfechos clínicos desfavoráveis desencadeantes. Isso pode ser justificado por conta dos efeitos metabólicos observados nas duas condições, sendo que em relação à sarcopenia o declínio de hormônios sexuais GH e IGF-1 potencializa o efeito católico nas fibras musculares, impedindo a inibição da produção de IL-1 e IL-6 (hormônios sexuais promovem a inibição dessas interleucinas). Associada ao quadro inflamatório da obesidade, ocorre uma intensificação de citocinas pró-inflamatórias que desencadeiam reações deletérias aos sistemas, interferindo negativamente na homeostase e propiciando doenças crônicas diversas.

 

REFERÊNCIAS

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